Lula veta projeto de redução de penas dos condenados pelo 8/1

Veto ocorreu em cerimônia em memória do 8 de janeiro de 2023, quando golpistas depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília

8 jan 2026 - 13h00

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o projeto aprovado pelo Congresso Nacional que reduz as penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O Congresso havia concluído a aprovação do projeto em 18 de dezembro, mas, de acordo com o rito legislativo, a proposta precisava ser submetida à sanção presidencial.

A assinatura do veto ocorreu durante cerimônia do governo federal em defesa da democracia. A solenidade marca os três anos dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, objeto de inquérito que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e três meses de prisão. Com o projeto, Bolsonaro teria a pena reduzida para 20 anos, com diminuição do tempo de regime fechado para dois anos e quatro meses.

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"Oito de janeiro está marcado pela história como o dia da vitória da nossa democracia. Vitória sobre os que tentaram tomar o poder pela força, desprezando a vontade popular expressa nas urnas. Os que sempre defenderam a ditadura, a tortura e o extermínio de adversários, e pretendiam submeter o Brasil a um regime de exceção", disse Lula.

"(Vitória sobre) Os que planejaram os assassinatos do presidente e do vice-presidente da República e do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Os que exigem cada vez mais privilégios para os super ricos e menos direito para quem constrói a riqueza do Brasil com o suor do seu trabalho", acrescentou.

"Vitória sobre os que não hesitaram em desmantelar outra vez as políticas de inclusão social e devolver o Brasil ao mapa da fome. Os inimigos das conquistas dos mais carentes, da classe média e da classe trabalhadora. Os traidores da Pátria, que conspiraram contra o Brasil para causar o caos na economia e o desemprego de milhões de brasileiros. Eles foram derrotados. O Brasil e o povo brasileiro venceu", afirmou.

Lula disse ainda que "a democracia não é inabalável" e que está sempre sob "assédio" e "em construção". "Não faz muito tempo, a principais lideranças do golpe defendiam a ditadura. Eram favoráveis à tortura e zombavam dos que foram torturados. Chamavam os direitos humanos de esterco da bandidagem", disse.

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O Congresso ainda pode derrubar o veto de Lula. Para isso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), precisa convocar uma sessão conjunta entre senadores e deputados para realizar uma votação sobre anular ou manter o veto de Lula. Em coletiva de imprensa na quarta-feira, 7, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), disse estar convencido de que há "todas as condições" para o veto ser mantido.

"Aquela votação (na Câmara) foi marcada de uma hora para a outra. Aqui na Câmara houve 291 votos. No Senado, 48 votos. Então, nós teríamos que reverter 34 votos, que é uma tarefa muito possível, porque o governo vai ter mais de um mês para trabalhar isso, trabalhar em cima dessa votação", disse Lindbergh a jornalistas.

O evento em memória do 8 de Janeiro não contou com a presença dos presidentes do Senado e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

De acordo com a assessoria do presidente do Senado, Alcolumbre continua de férias no Amapá nesta quinta-feira. Já fontes ligadas ao presidente da Câmara disseram ao Estadão/Broadcast que Motta não deve comparecer ao evento capitaneado por Lula. No entorno do deputado, há uma avaliação de que a pauta do 8 de Janeiro se tornou "muito do PT e do governo" e estimula a "polarização".

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