Lula fará pronunciamento sobre taxação de Trump nesta quinta-feira

Petista pretende dar esclarecimentos públicos sobre ações do governo em relação à crise com os EUA

16 jul 2025 - 18h24
(atualizado em 17/7/2025 às 14h05)

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está gravando nesta quarta-feira, 16, um pronunciamento à Nação para informar as providências tomadas pelo governo em relação ao tarifaço de 50% imposto ao Brasil pelo presidente dos EUA, Donald Trump. No pronunciamento, que deve ir ao ar nesta quinta-feira, 17, em rede nacional de rádio e TV, Lula defenderá a soberania nacional.

O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva grava pronunciamento sobre crise com os EUA
O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva grava pronunciamento sobre crise com os EUA
Foto: Wilton Junior / Estadão / Estadão

Lula reuniu alguns ministros no Palácio da Alvorada para acompanhar a gravação. Ele decidiu se manifestar depois que os Estados Unidos abriram investigação sobre práticas comerciais do Brasil. A medida foi anunciada menos de uma semana após Trump divulgar que, a partir de 1.º de agosto, o país cobrará uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

Publicidade

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 16, mostra que, para 72% dos entrevistados, Trump está errado ao impor taxas ao Brasil por acreditar que há uma perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Somente 19% disseram que o presidente dos EUA tem razão. Outros 9% não responderam.

O levantamento animou o Palácio do Planalto porque também indicou que o índice dos que apoiam o governo passou de 40% para 43%, enquanto a desaprovação do presidente recuou de 57% para 53%. De acordo com a sondagem da Quaest, o confronto de Lula com Trump, por causa do tarifaço, fez com que o petista recuperasse terreno fora de seu eleitorado tradicional.

Trump anunciou a taxação de produtos brasileiros e atribuiu a medida, em parte, à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao que chamou de "caça às bruxas" contra Bolsonaro. Lula rebateu publicamente os termos utilizados pelo líder norte-americano e disse que ele está fazendo intromissão indevida em assuntos do Brasil.

O governo também usou as redes sociais para se posicionar contra a inclusão do Pix no rol das investigações dos EUA. "O Pix é nosso, my friend", diz a postagem feita pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).

Publicidade

Na publicação, o governo afirma que o sistema de transações financeiras no Brasil está causando um "ciúme danado". "Tem até carta reclamando da existência do nosso sistema Seguro, Sigiloso e Sem taxas", afirma a mensagem.

As peças da Secom serão reforçadas pelo PT, que terá uma campanha nas redes em defesa do Pix. Como mostrou o Estadão/Broadcast, o governo avalia que a inclusão do Pix no rol das investigações dos EUA foi motivada por lobby das grandes bandeiras de cartão de crédito, como Visa e Mastercard.

De qualquer forma, o governo está aproveitando o momento de embate com os EUA para avançar algumas casas no jogo, em busca da popularidade perdida.

O vice-presidente Geraldo Alckmin disse nesta quarta-feira, após se reunir com empresários, que o governo está empenhado em resolver o imbróglio com os Estados Unidos.

"Nós queremos negociação, é urgente. O bom é que se resolva nos próximos dias", afirmou Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, após reunião com o presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), Abrão Neto. "Agora, se houver necessidade nessa negociação de prorrogar (o prazo para início das tarifas), não vejo problema", completou.

Publicidade
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações