BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está gravando nesta quarta-feira, 16, um pronunciamento à Nação para informar as providências tomadas pelo governo em relação ao tarifaço de 50% imposto ao Brasil pelo presidente dos EUA, Donald Trump. No pronunciamento, que deve ir ao ar nesta quinta-feira, 17, em rede nacional de rádio e TV, Lula defenderá a soberania nacional.
Lula reuniu alguns ministros no Palácio da Alvorada para acompanhar a gravação. Ele decidiu se manifestar depois que os Estados Unidos abriram investigação sobre práticas comerciais do Brasil. A medida foi anunciada menos de uma semana após Trump divulgar que, a partir de 1.º de agosto, o país cobrará uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 16, mostra que, para 72% dos entrevistados, Trump está errado ao impor taxas ao Brasil por acreditar que há uma perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Somente 19% disseram que o presidente dos EUA tem razão. Outros 9% não responderam.
O levantamento animou o Palácio do Planalto porque também indicou que o índice dos que apoiam o governo passou de 40% para 43%, enquanto a desaprovação do presidente recuou de 57% para 53%. De acordo com a sondagem da Quaest, o confronto de Lula com Trump, por causa do tarifaço, fez com que o petista recuperasse terreno fora de seu eleitorado tradicional.
Trump anunciou a taxação de produtos brasileiros e atribuiu a medida, em parte, à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao que chamou de "caça às bruxas" contra Bolsonaro. Lula rebateu publicamente os termos utilizados pelo líder norte-americano e disse que ele está fazendo intromissão indevida em assuntos do Brasil.
O governo também usou as redes sociais para se posicionar contra a inclusão do Pix no rol das investigações dos EUA. "O Pix é nosso, my friend", diz a postagem feita pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).
Na publicação, o governo afirma que o sistema de transações financeiras no Brasil está causando um "ciúme danado". "Tem até carta reclamando da existência do nosso sistema Seguro, Sigiloso e Sem taxas", afirma a mensagem.
As peças da Secom serão reforçadas pelo PT, que terá uma campanha nas redes em defesa do Pix. Como mostrou o Estadão/Broadcast, o governo avalia que a inclusão do Pix no rol das investigações dos EUA foi motivada por lobby das grandes bandeiras de cartão de crédito, como Visa e Mastercard.
De qualquer forma, o governo está aproveitando o momento de embate com os EUA para avançar algumas casas no jogo, em busca da popularidade perdida.
O vice-presidente Geraldo Alckmin disse nesta quarta-feira, após se reunir com empresários, que o governo está empenhado em resolver o imbróglio com os Estados Unidos.
"Nós queremos negociação, é urgente. O bom é que se resolva nos próximos dias", afirmou Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, após reunião com o presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), Abrão Neto. "Agora, se houver necessidade nessa negociação de prorrogar (o prazo para início das tarifas), não vejo problema", completou.