Lula diz que Flávio sair do Brasil é vergonhoso; 'Quando pediram meu passaporte, entreguei'

Presidente reeleito critica fuga de senador para os Estados Unidos

27 out 2026 - 20h29
Resumo
O presidente Lula classificou como "vergonhosa" a saída do senador Flávio Bolsonaro do país após a derrota eleitoral e a ordem do STF para reter seu passaporte. Em discurso, o petista comparou a fuga com sua própria conduta em 2018, quando entregou o documento e foi preso pela Lava Jato para provar sua inocência. Ele criticou o adversário por supostamente dever à Justiça, não abrir dados fiscais e desrespeitar o resultado das urnas, afirmando que deixar o Brasil demonstra falta de compromisso com a verdade.

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou de "vergonhoso" o fato de o senador Flávio Bolsonaro (PL) ter fugido do Brasil logo após a derrota na disputa presidencial e depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter mandado ele entregar seu passaporte.

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"Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso (...) Quando pediram para eu entregar meu passaporte, eu entreguei. A Polícia Federal tinha suspeita de que ele ia sair do Brasil. Lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira é lamber bota dos Estados Unidos", declarou diante de militantes petistas no Palácio da Alvorada, na comemoração de seus 81 anos.

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemora seus 81 anos de idade ao lado de apoiadores
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemora seus 81 anos de idade ao lado de apoiadores
Foto: Wilton Junior / Estadão / Estadão

Lula se referiu a uma decisão da Justiça Federal em 2018, que mandou entregar seu passaporte logo antes de ele viajar à Etiópia para um evento da Organização das Nações Unidas (ONU). Na oportunidade, ele e seu então advogado, Cristiano Zanin, cumpriram a decisão da Justiça. Lula permaneceu no Brasil e acabou preso no âmbito da operação Lava Jato.

"Tive muitos convites para sair do Brasil, ir para embaixadas, mas resolvi ficar e me entregar na Polícia Federal, porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência. E estou aqui sendo reeleito para mais um mandato por conta de vocês", disse.

Lula falou que o processo democrático estabelece que "a gente vota em quem quiser e tem que acatar o resultado". "Já participei de muitas eleições, mas o que vimos nesse 2º turno, é uma coisa que nunca tinha visto na minha vida (...) Estou sabendo agora que meu adversário foi embora. Não tenho informações. Perdi eleição para o [Fernando] Collor, para o Fernando Henrique [Cardoso], duas vezes, e fiquei no Brasil. [Geraldo] Alckmin perdeu para mim e ficou no Brasil. Serra perdeu e ficou. Fico imaginando a culpa [de Flávio]", afirmou.

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"Quem não deve não teme. Um cidadão que sai escondido de seu País é porque deve alguma coisa", declarou.

Lula criticou Flávio por não ter entregado à Justiça Eleitoral os dados fiscais, bancários e telefônicos seus e de sua família. O presidente reeleito desafiou seu adversário a fazer isso. Lula entregou à Justiça Eleitoral seus dados, os da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, e seus filhos.

"Lamento que ele tenha saído do Brasil. Ele poderia ficar e provar que as acusações que estão na imprensa não são verdadeiras. Tentei fazer com que ele provasse que é honesto entregando minha papelada toda na Justiça Eleitoral. Ele não entregou, em uma demonstração de que esse cidadão, que foi a figura mais mentirosa que já vi no planeta Terra, não tem nenhum compromisso com a verdade. É impressionante a desfaçatez dele", afirmou.

"Não vá dizer lá fora que Brasil não tem democracia. Se não tivesse, miliciano não seria candidato", disse.

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