BRASÍLIA - O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse nesta quarta-feira, 19, que a defesa da soberania nacional não pode ficar apenas no "discurso", mas também se refletir em investimentos militares. Lula disse que é preciso "estar preparado" para "poder dizer não".
"A gente não tem soberania nacional porque a gente faz discurso. O discurso é só palavra. O adversário às vezes nem escuta. Nós precisamos estar preparados para eles saberem que a gente vai ter força para poder dizer não, para dizer que vamos competir. O que a gente não pode é ser um País desse tamanho de cabeça baixa a vida inteira", declarou o presidente.
A fala foi durante a nominata (momento de início do discurso em que os políticos agradecem as pessoas presentes), em evento em Iperó-SP, durante visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar.
Lula também defendeu que o Brasil "possa enriquecer urânio, para fins pacíficos", e que é preciso encontrar recursos no Orçamento para mais investimentos em defesa.
"Volto para Brasília e nós vamos arrumar os recursos para que a gente termine, de uma vez por todas, esse submarino. Isso significa facilitar que a nossa juventude tenha esperança", declarou. "O submarino é importante para que a gente tenha tecnologia para dar e para vender. Para que a gente possa enriquecer urânio, para fins pacíficos, como está na nossa Constituição, para vender para o mundo."
De acordo com o artigo 21 da Constituição, compete à União "explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus derivados", atendendo ao princípio de que a atividade nuclear seja "admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional".
O presidente reclamou do fato de que investimentos que foram feitos ainda nas suas duas primeiras gestões acabaram ficando de lado e outros presidentes que o sucederam não fizeram aportes em defesa. Disse que o constante contingenciamento no Orçamento dificultam a continuidade de obras. Não mencionou, porém, que inclusive seu governo faz bloqueios e contingenciamentos no Orçamento quando necessário.
"A gente fica dependendo do Orçamento da União e ele, às vezes, precisa ser contingenciado. Muitas vezes em um ano, você tem dois, no outro tem um. Em um ano tem três e no outro não tem nada. Isso não permite uma continuidade para a gente dizer que vamos concluir um projeto em tanto tempo. Volto hoje aqui e outra vez me deparo com a descontinuidade do Orçamento", disse.