Lula critica proposta de novo tarifaço dos EUA e chama Flávio Bolsonaro de 'imbecil'

Presidente responsabiliza filhos de Jair Bolsonaro por medida do governo Trump e diz que eles são 'traidores'; mais cedo, Flávio afirmou que pediu ao presidente americano que não taxasse produtos brasileiros

2 jun 2026 - 12h41
(atualizado às 13h31)

CATALÃO (GO) E SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta terça-feira, 2, a proposta do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de aplicar uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o País adota práticas que oneram ou restringem o comércio americano. Lula responsabilizou a família Bolsonaro pela medida. "Os filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São traidores", afirmou.

Publicidade

A decisão detalha investigação sobre temas como Pix, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. As medidas devem entrar em vigor até 15 de julho, após audiência marcada para 6 de julho.

"Os meninos do Bolsonaro, um deles que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, no dia em que o Trump taxou o Brasil em 50%, olha o que ele tuitou: 'Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo. Queremos um Magnitsky'", disse Lula em referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). "O filho dele hoje foi para a televisão dizer que não disse nada. Eu vou repetir: no dia 9 de julho de 2025, no dia em que o Trump nos puniu, ele disse: 'Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo'".

Segundo o presidente, as declarações evidenciam apoio da família Bolsonaro às medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o País. "Foi lá (pedir) para o Trump: 'Trump, dá uma porrada no Lula. Dá no Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições. Trump, não deixa. Prejudica o Lula.' Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula. Ele vai prejudicar é o povo brasileiro", afirmou Lula.

A declaração foi dada durante cerimônia de inauguração da nova sede do Campus Catalão do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), obra incluída no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Também participaram os ministros Alexandre Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da República) e Leonardo Barchini (Educação).

Publicidade

Mais cedo, em entrevista à Rádio Itatiaia, Flávio disse que pediu a Trump que não taxasse os produtos brasileiros. "Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente(JD)Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz, expresso, a eles", afirmou Flávio, em referência a sua visita a Washington na semana passada.

No discurso, Lula relembrou seu encontro com Trump em 7 de maio, numa reunião de três horas sem a presença do Secretário de Estado Marco Rubio, a quem classificou como contrário à América Latina e ao Brasil. Segundo o presidente, no encontro, ele entregou quatro documentos ao presidente americano, incluindo um sobre comércio, para argumentar que os EUA não têm déficit com o Brasil e que os principais produtos americanos entram no País sem pagar imposto.

Lula disse ainda que a visita foi bem-sucedida, citou a declaração de Trump sobre haver "química" entre os dois e afirmou que o bolsonarismo reagiu mal ao episódio. "Eles foram lá. A família foi lá esta semana e foi conversar com o Marco Rubio. Porque aquela fotografia que tiraram... vocês viram? Aquilo era fotografia de campanha. Mas eles foram encontrar o Marco Rubio", continuou. "E ontem, eu soube da notícia de que o comércio americano resolveu taxar o Brasil em 25%."

O presidente afirmou ainda que, diante da falta de poderio militar comparável ao dos Estados Unidos, sua resposta às medidas anunciadas por Donald Trump tem sido baseada na defesa dos fatos e na disputa de narrativas. Segundo ele, o governo brasileiro encaminhou cartas às autoridades americanas e publicou artigos na imprensa dos EUA para contestar o que classificou como informações falsas sobre a relação comercial entre os dois países.

Publicidade

Lula argumentou que os EUA acumulam superávit de mais de US$ 415 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos e sustentou que, por essa lógica, seriam os brasileiros, e não os americanos, que teriam justificativa para elevar tarifas.

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações