Locais de votação fecham antes das 19h em SP e eleitores não conseguem votar apesar de prorrogação

No bairro do Limão, equipe da Justiça Eleitoral informou que ordem para estender votação não chegou a tempo; Zanin informou que decisão só valeria para urnas ainda abertas

25 out 2026 - 19h14
(atualizado às 19h40)
Resumo
Apesar de o STF ter prorrogado a votação até as 19h em São Paulo, diversos eleitores foram impedidos de votar. O ministro Cristiano Zanin esclareceu que a medida não se aplicava às seções já encerradas às 17h, horário original do pleito. Com isso, colégios fecharam os portões antes do novo prazo, e a ordem de extensão não chegou a tempo em várias zonas, gerando revolta e frustração em cidadãos que compareceram aos locais após o anúncio da prorrogação e encontraram as urnas já desmobilizadas.

Eleitores não puderam votar em diversos colégios que já haviam fechado as portas ou encerrado o funcionamento das urnas eletrônicas. Mesmo com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prorrogar a votação para as 19h, a reabertura dos locais não foi possível pois o ministro Cristiano Zanin explicitou que, no caso das urnas já fechadas, a prorrogação não valeria.

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A assistente administrativa Natasha Pereira do Nascimento, de 28 anos, chegou à Escola SENAI "Roberto Simonsen", no bairro do Brás, em São Paulo, às 17h13, mas não foi autorizada a entrar para votar. Ela esperou por cerca de uma 1h30 no local, sob chuva, e com a filha de um ano e dois meses doente no colo.

"Eu cheguei aqui e fecharam o portão na minha cara para eu não conseguir votar. Estou com a minha filha no colo. Minha filha tem um ano e dois meses, está com o catarro verde escorrendo. Me falaram que aqui não foi prorrogado, que eles não podem fazer nada, que eles não sabem de nada, que aqui foi tudo desmontado e não podem deixar entrar", relatou Natasha. Ela acionou a polícia militar, mas relatou que nenhuma viatura foi ao local.

EMEF Visconde de Taunay, no bairro do Limão, fechou as portas pouco depois das 18h
EMEF Visconde de Taunay, no bairro do Limão, fechou as portas pouco depois das 18h
Foto: Pedro Augusto Figueiredo/Estadão / Estadão

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogou a votação por mais duas horas em decisão proferida às 17h01, um minuto após o fim das eleições. Diante da indefinição sobre como proceder, ele proferiu uma segunda decisão para esclarecer que a medida será aplicada apenas para as seções que não tinham sido encerradas.

A diarista Cida Vieira, de 46 anos, soube da prorrogação pela TV e se dirigiu ao seu local de votação, na EMEF Visconde de Taunay, no bairro do Limão, para tentar votar. Chegando lá, foi informada de que não poderia votar. O Estadão presenciou a cena. "Eles falaram que a minha urna não está funcionando, só a 113, a minha é a 121", relatou ela. "Eu fico indignada. Anunciou na TV (a prorrogação) e não funciona na prática."

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A urna 113 sofreu uma pane e precisou ser trocada. Por isso, os eleitores que estavam na fila conseguiram votar após as 17h - as demais, foram encerradas no horário original. Segundo funcionários da Justiça Eleitoral que estavam no local, a ordem para estender a votação não chegou em tempo hábil.

Às 18h02, a reportagem acompanhou a saída de uma van que transportava as urnas da escola. O executivo de vendas Jeferson, 26 anos, chegou de táxi por volta das 18h25 e encontrou o local fechado e sem nenhum mesário ou funcionário.

"É um absurdo. Se foi prorrogado até às 19h, não faz sentido estar fechado. A gente sabe que a frota de ônibus foi reduzida em São Paulo, tive que gastar dinheiro com táxi", afirmou ele.

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