Leite: PSD terá de decidir se é partido que defende a anistia ou fala de um Brasil diferente

25 mar 2026 - 13h00

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, acredita que a escolha do pré-candidato do PSD à Presidência da República será decisiva para definir a identidade que o partido assumirá diante do País. Em disputa interna para ter seu nome referendado pela legenda na corrida ao Palácio do Planalto, Leite afirma que o PSD terá de optar entre se alinhar a pautas como indulto e anistia, defendidas por seu adversário interno - o governador de Goiás, Ronaldo Caiado - ou se apresentar como uma alternativa à polarização entre Lula e o bolsonarismo.

"Essa primeira candidatura à presidência da República pelo PSD vai ser definidora da identidade que o PSD deseja ter pela frente para o Brasil sem dúvida nenhuma", afirmou Leite, em coletiva de imprensa em São Paulo, nesta quarta-feira, 25. "Eu e o governador Caiado temos muita convergência em muitos pontos, temos diferenças em outros, e o PSD vai ter que decidir, afinal, se vai ser um partido que vai defender indulto, anistia, ou se vai ser um partido que vai falar de um Brasil diferente. A gente vai construir um País diferente e sem adesão a um polo ou outro, com uma alternativa real de poder para o Brasil."

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O gaúcho se reúne nesta quarta-feira, 25, com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para discutir o rumo da legenda na disputa presidencial. O governador do Paraná, Ratinho Jr., que era o preferido de Kassab, desistiu da corrida no início da semana. Com a saída, Caiado passou a ser visto como favorito dentro do partido.

Leite afirma que não há decisão tomada e diz estar "vivamente dedicado" a demonstrar para Kassab e seus correligionários que há razões para acreditar na viabilidade eleitoral do partido, desde que o PSD se mantenha autêntico e se posicione como um terceiro polo, e não "simplesmente gravite em torno de um deles" - o que, na opinião de Leite, ocorreria com a candidatura de Caiado, que tem proximidade com o bolsonarismo.

"A circunstância é complexa, claro que é, não dá para fingir que tem um cenário eleitoral e político bem tranquilo e fácil. É claro que ele é complexo e difícil, mas ele é possível de ser rompido se a gente trouxer uma mensagem diferente. Agora, se for uma candidatura que vai gravitar em um dos campos, insisto que acho que vai ficar muito estreito, vai aprofundar a divisão, não vai colaborar com o País na construção de um caminho alternativo e, muito menos, na minha perspectiva, terá chances de sucesso eleitoral."

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Leite afirmou que só deixará o mandato de governador para disputar a Presidência e que, caso não seja escolhido, permanecerá no cargo de governador até o fim, descartando a possibilidade de concorrer ao Senado. Ele também rejeitou a hipótese de ser vice ou de deixar o PSD.

"Modéstia à parte, a legitimidade que eu carrego por ter escolhido, na minha vida política, não aderir a um desses campos, do bolsonarismo ou do lulismo, me permite hoje me apresentar para o Brasil como uma alternativa de liderança de um projeto diferente. Então, não estou discutindo ser vice, ser alternativa de Senado, nem nada. A minha intenção e a minha disposição firme é de liderar um projeto."

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