Justiça nega remoção de vídeo em que Janones chama Bolsonaro de 'vagabundo' e 'ladrão'

Juiz entendeu que, sem provas robustas no processo, excluir manifestação política seria uma forma de censura

15 abr 2026 - 16h19

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) negou pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para retirar do ar com urgência um vídeo publicado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) em que o parlamentar o chama de "vagabundo", "ladrão" e "safado".

Bolsonaro pedia a exclusão do conteúdo no prazo de 24 horas, abstenção de novas publicações de teor semelhante e retratação pública de Janones.

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O juiz Giordano Resende Costa concluiu que, como o processo está em estágio inicial, não há elementos suficientes para comprovar que se trata de imputação falsa de crime e não de manifestação política "exagerada ou hiperbólica" protegida pela liberdade de expressão.

Advogados de Jair Bolsonaro pediram remoção urgente de postagem de André Janones
Advogados de Jair Bolsonaro pediram remoção urgente de postagem de André Janones
Foto: Gilmar Félix/Câmara dos Deputados e Wilton Junior/Estadão / Estadão

Ele ressaltou que a retirada imediata do conteúdo poderia representar uma forma de censura, ao suprimir uma manifestação já realizada em ambiente de debate público.

O processo seguirá com a apresentação da defesa de Janones. O mérito da ação (se houve ou não crime) ainda será examinado.

Nos vídeos, o parlamentar mineiro chama o ex-presidente de "vagabundo", "ladrão" e "safado", afirma que ele mente sobre seu estado de saúde para cumprir pena domiciliar e atribui a Bolsonaro ordens para matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), em referência ao plano "Punhal Verde e Amarelo", descoberto na apuração sobre a trama golpista.

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O magistrado destacou que figuras públicas de notoriedade nacional como um ex-presidente da República estão sujeitos a maior escrutínio público e devem "suportar com maior tolerância as manifestações de dissenso e a exposição pública de narrativas desfavoráveis à sua imagem política".

Na petição em que requeriam com urgência a retirada do conteúdo, os advogados de Bolsonaro argumentam que o ex-presidente não teve condições de responder publicamente às acusações, pois está proibido de usar redes sociais como medida cautelar da prisão domiciliar.

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