Justiça do Paraná concede prisão domiciliar a policial bolsonarista que assassinou tesoureiro do PT

Policial foi condenado a 20 anos de prisão por invadir festa de aniversário do petista e atirar contra ele

31 mar 2026 - 13h10

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) concedeu prisão domiciliar ao ex-policial penal Jorge Guaranho, condenado a 20 anos de prisão pelo assassinato de Marcelo Arruda, tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) durante sua festa de aniversário. A decisão foi publicada no dia 17 de março e, no dia seguinte, Guaranho deixou o Complexo Médico Penal, em Curitiba e passou a cumprir a pena em sua residência em Foz do Iguaçu (PR).

De acordo com as investigações, Arruda foi baleado no dia 9 de julho de 2022 por Guaranho, enquanto comemorava seus 50 anos com uma festa temática do presidente Lula e do PT.

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O ex-policial, apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiu a festa do tesoureiro e disparou contra ele. O petista chegou a ser socorrido e levado ao hospital, mas morreu na madrugada de 10 de julho de 2022, deixando a mulher e quatro filhos, um deles recém-nascido.

Jorge José da Rocha Guaranho é agente penitenciário federal e apoiador do presidente Jair Bolsonaro.
Jorge José da Rocha Guaranho é agente penitenciário federal e apoiador do presidente Jair Bolsonaro.
Foto: Jorge Guaranho via Facebook / Estadão

Após atirar em Arruda, que possuía porte de arma por atuar como guarda municipal, Guaranho também foi baleado e, depois de cair no chão, foi agredido por convidados da festa, o que deixou sua condição de saúde debilitada.

A Justiça sustentou que Guaranho teve a prisão domiciliar autorizada devido às sequelas do ocorrido. Na decisão, o Tribunal acolheu a alegação da defesa de que o condenado possui "dor crônica, limitação aos movimentos e comprometimento para a realização das atividades de vida diária, apresentando dificuldade para se alimentar e engasgos frequentes".

"Também foi relatado que, devido à ausência de cadeira adaptada, a pessoa sentenciada se banha sentada sobre um balde. Ademais, são relatados vários episódios de quedas decorrentes de fraqueza e tonturas", diz o ofício.

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Na decisão, o TJPR afirma que "a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar não implica impunidade ou absolvição, mas visa garantir o respeito aos direitos fundamentais do paciente, sem prejuízo do regular andamento do processo".

Em nota enviada ao Estadão, a advogada Amanda Nocera, que atuou na defesa do ex-policial afirmou que "recebeu com senso de responsabilidade e humanidade a decisão da Vara de Execuções Penais que deferiu a prisão domiciliar".

"A decisão não representa impunidade, nem altera o curso da execução penal, assegurando apenas que o cumprimento da pena ocorra em condições compatíveis com o estado de saúde do apenado", diz a nota.

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