Haddad diz que Tarcísio não sabe a diferença entre corte de privilégios e aumento de imposto

Ministro da Fazenda reagiu após o governador afirmar que o provável adversário ao governo de São Paulo aumenta um imposto a cada 30 dias

11 mar 2026 - 20h11

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), respondeu nesta noite ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que o acusou de aumentar imposto a cada 30 dias. Mais cedo, em evento de inauguração do novo Centro de Controle Operacional do Metrô (CCOx), Tarcísio negou ser "blindado" de críticas, como Haddad havia acusado há alguns dias, e afirmou: "Ninguém é blindado de crítica de lugar nenhum. Tem bom trabalho, tem trabalho que é ruim. O que eu posso fazer se ele aumentou o imposto a cada 30 dias? Não é culpa minha, é culpa dele".

Ao Estadão/Broadcast, Haddad afirmou que Tarcísio - que foi ministro da Infraestrutura entre 2019 e 2022 - passou quatro anos do governo de Jair Bolsonaro (PL) defendendo bets, fintechs e bilionários.

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"Agora tenta confundir a população ao não reconhecer a diferença entre corte de privilégios e aumento de impostos. A verdade é que nosso governo promoveu a maior isenção de Imposto de Renda da história do Brasil, beneficiando cerca de 20 milhões de trabalhadores que haviam sido indevidamente empurrados para a base de cobrança quando Bolsonaro congelou a tabela do IR", completou Haddad.

As declarações ocorrem um dia depois de o petista confirmar que vai deixar o governo na semana que vem, algumas semanas antes do fim do prazo para desincompatibilização. Segundo o Estadão/Broadcast apurou, Haddad foi convencido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a disputar o Palácio dos Bandeirantes para garantir um palanque forte no maior colégio eleitoral do País.

Pesquisa Datafolha divulgada no último sábado, 7, mostrou que o atual governador lidera a disputa, com 44% das intenções de voto. Haddad vem logo atrás, com 31%, pontuando melhor que a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), e que o vice-presidente e ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSB). Embora Tarcísio lidere todos os cenários de primeiro e segundo turnos, a pesquisa animou a base petista, que considerou o patamar de intenções de voto em Haddad elevado mesmo sem ele ter entrado ainda na corrida eleitoral.

Na semana passada, o ministro acusou o governo Tarcísio de ter "vulnerabilidades" que não estariam sendo divulgadas porque o governador vem sendo "blindado" de críticas. "Eu tenho recebido informação, inclusive da base, do magistério e da polícia, que está demonstrando um grau de insatisfação bastante grande. Mas eu não sei até que ponto é possível explorar isso por causa da blindagem que se faz ao Tarcísio. Não se fala do governo, não se fala de realização, não se fala de nada", afirmou Haddad, em entrevista ao programa Alô, Alô Brasil do jornalista José Luiz Datena, na Rádio Nacional.

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Hoje, ao comentar o possível novo embate com Haddad na disputa pela reeleição - os dois foram oponentes em 2022 -, o atual governador afirmou que "não escolhe adversário". Segundo ele, a estratégia é se conectar com as demandas do eleitorado e disse ainda que prefere falar diretamente com os eleitores, sem direcionar sua atenção a adversários políticos.

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