Goldman Sachs: Margem de vitória do presidente eleito pode aumentar risco de contestação

25 out 2026 - 07h58
Resumo
Segundo o Goldman Sachs, investidores monitoram a margem de votos no segundo turno presidencial, alertando que uma vantagem menor que 1 ponto percentual amplia o risco de contestação do resultado e enfraquece o mandato do eleito, enquanto mais de 4 pontos traria clareza. O banco destaca que a aceitação da derrota e o tom dos discursos indicarão o nível de estabilidade institucional, fator crucial para que reformas e a pacificação política superem a longa estagnação econômica recente.

A margem de vitória do presidente eleito após a divulgação do resultado do segundo turno da eleição presidencial, logo mais à noite, é um dos principais pontos a ser monitorado pelos investidores, na opinião dos economistas do banco Goldman Sachs.

"Uma diferença inferior a 1 ponto porcentual em relação ao segundo colocado poderia aumentar o risco de contestação do resultado eleitoral, sobretudo em um ambiente altamente polarizado, e poderia ser interpretada como um mandato frágil para governar", escreveram os economistas do Goldman Sachs, em relatório a clientes. "Uma margem de vitória superior a 4 pontos daria ao vencedor um mandato claro."

Publicidade

Também será preciso monitorar a aceitação do resultado eleitoral. "O tom dos discursos de reconhecimento da derrota e de comemoração da vitória indicará se a polarização tende a persistir e se a transição institucional ocorrerá sem sobressaltos", afirmaram os economistas do banco.

Em relação às expectativas para o resultado final da votação hoje, numa corrida que ficou bastante apertada neste segundo turno, os analistas do Goldman Sachs destacaram que uma taxa elevada de abstenção favorecia, em tese, o senador Flávio Bolsonaro.

"A abstenção costuma aumentar do primeiro turno para o segundo, mas é possível que, neste ano, haja um desvio em relação ao padrão histórico: a abstenção no primeiro turno já ficou acima das taxas observadas em eleições anteriores; a disputa é acirrada e altamente polarizada; e ambos os candidatos intensificaram os esforços para mobilizar os eleitores que não comparecem às urnas", argumentaram os analistas.

Após a eleição, o foco estará na composição ministerial do governo eleito e nos sinais relativos às políticas públicas e às reformas.

Publicidade

"Espera-se que os mercados financeiros reajam positivamente, no período pós-eleição, a sinais de pacificação social e de estabilidade política, bem como à adoção de políticas e reformas capazes de impulsionar os investimentos e o crescimento econômico, deixando para trás um longo período de crescimento bastante modesto e de estagnação das condições sociais e econômicas", afirmaram os economistas do Goldman Sachs.

Segundo eles, o crescimento real do PIB per capita teve média de apenas 0,15% entre o terceiro trimestre de 2011 e o segundo trimestre de 2026, enquanto os gastos reais com investimentos permaneceram, no segundo trimestre de 2026, 8,3% abaixo do pico registrado no segundo trimestre de 2013. "Diante desse quadro, uma mudança no regime de políticas econômicas é urgente", concluíram os analistas do Goldman Sachs.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se