Em campanha em São Paulo, Flávio Bolsonaro chamou de "maior fake news da campanha" o boato de que apoiaria retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida, acusando aliados de Lula de espalharem a desinformação. O candidato também atacou o petista pela proibição das apostas online, apelidando-o de "pai do Tigrinho". Ao lado de Tarcísio de Freitas, o senador defendeu o voto útil já no primeiro turno, celebrou a união da direita paulista e desafiou o rival para o debate da TV Globo.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) classificou nesta segunda-feira, 28, como a "maior fake news dessa campanha" a informação de que apoiaria a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Durante agenda na região do Brás, em São Paulo, o senador acusou aliados do seu principal rival na disputa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de terem impulsionado a informação falsa.
Em meio ao percurso, o presidenciável recebeu de uma eleitora uma pequena imagem da santa e a ergueu diante dos apoiadores.
Flávio afirmou que um comunicado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) confirmava que a história era falsa. A nota da organização, porém, foi divulgada principalmente para rebater uma acusação feita pelo próprio candidato no domingo, 27, de que "gente de dentro" da Conferência teria ajudado o PT a disseminar a desinformação.
"Foi muito boa a nota, ela é esclarecedora, porque confirma que essa questão de Nossa Senhora Aparecida, ela deixar de ser a padroeira do Brasil, era uma grande mentira", disse Flávio. O candidato voltou a acusar integrantes lulistas de espalharem a informação e citou nominalmente a primeira-dama Janja da Silva e a candidata ao Senado por São Paulo Simone Tebet (PSB).
"Ela foi compartilhada pela Janja, foi compartilhada pela Simone Tebet aqui em São Paulo, foi compartilhada por toda a esquerda para tentar desgastar. Só que o efeito foi o contrário", disse.
A informação que circulou nas redes associava Flávio a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O episódio resgatou um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli e arquivado no ano seguinte. Publicações passaram a atribuir a Flávio a intenção de retomar a iniciativa caso fosse eleito.
Durante a agenda, Flávio também voltou a atacar Lula pela política para as bets. Questionado sobre a medida provisória assinada pelo petista que proibiu a atividade no País, o candidato repetiu a expressão "pai do Tigrinho" para se referir ao petista e afirmou que o governo criou insegurança jurídica ao vetar agora uma atividade regulamentada durante a atual gestão.
"Eu fiz o exame de DNA ontem para ver quem era o pai do Tigrinho. Deu Lula. Lula, o pai do Tigrinho", afirmou Flávio. O senador disse ainda que o PL votou contra os cassinos online e acusou o adversário de agir por "desespero" na reta final da campanha.+
Agenda de corpo a corpo
A seis dias do primeiro turno, Flávio afirmou que pretende manter uma agenda de corpo a corpo com os eleitores. O senador voltou a pedir a aqueles que cogitam apoiá-lo apenas numa eventual segunda rodada que antecipem o voto para 4 de outubro.
"Aqueles que ainda estão considerando votar em Flávio Bolsonaro só no segundo turno, já pensarem e darem uma oportunidade de votar já no primeiro turno", pediu.
Ao lado dele, o governador de São Paulo e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu a mesma estratégia para os últimos dias de campanha. "Vai estar corpo a corpo, vai fazer o corpo a corpo, é convencer", disse. Tarcísio acompanhou Flávio na passagem pelo Brás e pelo Mercado Municipal, ao lado do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB).
A tentativa de concentrar o voto da direita também apareceu na reação à desistência de Ricardo Salles (Novo) da disputa pelo Senado por São Paulo. Salles anunciou nesta segunda-feira que deixou a corrida e passou a apoiar Guilherme Derrite(PP) e André do Prado(PL), candidatos respaldados por Tarcísio.
Flávio elogiou a decisão e disse esperar movimentos semelhantes em outros Estados. "Ele ajuda demais o Tarcísio e ajuda também na Presidência. E eu espero que esse gesto dele seja replicado também em outros locais", afirmou.
Tarcísio defendeu que a direita evite a fragmentação. Segundo o governador, a retirada de Salles permitiu unir o grupo em São Paulo. "A gente precisava não dividir, mas somar", disse.
Flávio ainda voltou a desafiar Lula a participar do próximo debate presidencial da TV Globo. "Eu vou estar no debate da Globo e eu espero que o Lula vá para o debate da Globo. É com ele que eu quero debater", afirmou.