O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter enviado nesta terça-feira, 2, um ofício ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo americano não imponha novas tarifas sobre produtos brasileiros.
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O senador manifesta preocupação com a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil. O processo iniciado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre alguns produtos brasileiros.
No ofício, Flávio argumenta que o Brasil atravessa um período de deterioração fiscal e econômica e cita indicadores como o aumento da dívida pública, o crescimento da inadimplência entre consumidores e empresas e o número recorde de recuperações judiciais.
"Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro, os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo", escreveu. "Reitero formalmente o pedido que fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil."
No documento, Flávio também agradece a Rubio pela decisão de classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas e afirma que a medida foi celebrada pela maioria dos brasileiros, "mesmo que não tenha agradado ao atual governo".
O senador também afirma estar confiante de que será eleito presidente da República nas eleições de outubro. Segundo ele, caso vença a disputa, pretende colocar sua equipe de transição à disposição do governo americano para negociar um amplo acordo de comércio e investimentos entre os dois países.
"Estou preparado para colocar imediatamente minha equipe de transição à sua disposição para que possamos concluir, o mais rápido possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nações", escreveu.
Brasil e Estados Unidos voltaram a enfrentar atritos diplomáticos após um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na ocasião, Trump afirmou que a reunião com Lula, a quem chamou de "dinâmico", foi "muito boa" e que os dois discutiram comércio e tarifas.
No entanto, uma investigação conduzida pelo USTR concluiu preliminarmente que determinadas políticas e práticas adotadas pelo Brasil seriam "irracionais" ou prejudicariam o comércio norte-americano.
Com base nesse entendimento, o governo de Donald Trump propôs uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros. A medida ainda passará por consulta pública e audiência antes de uma decisão final.
O governo federal reagiu à conclusão preliminar da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos contra o Brasil. Em nota divulgada nesta terça-feira, 2, o Palácio do Planalto afirmou receber com "indignação" a decisão anunciada.
O governo também atribuiu a abertura da investigação à atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos e afirmou que as negociações conduzidas entre os governos de Lula e Trump estariam sendo prejudicadas por interesses políticos.
Pré-candidato e possível adversário de Lula na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro reuniu-se com Trump na semana passada. Após o encontro, o governo americano decidiu classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, medida defendida pelo senador.
Lula responsabilizou a família Bolsonaro pelo tarifaço. "Os filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São traidores", afirmou o presidente.
"Os meninos do Bolsonaro, um deles que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, no dia em que o Trump taxou o Brasil em 50%, olha o que ele tuitou: 'Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo. Queremos um Magnitsky'", disse Lula. "O filho dele hoje foi para a televisão dizer que não disse nada. Eu vou repetir: no dia 9 de julho de 2025, no dia em que o Trump nos puniu, ele disse: 'Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo'", continuou.
Segundo o presidente, as declarações evidenciam apoio da família Bolsonaro às medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o País.
"Foi lá pedir para o Trump: 'Trump, dá uma porrada no Lula. Dá no Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições. Trump, não deixa. Prejudica o Lula.' Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula. Vai prejudicar o povo brasileiro", afirmou Lula.