O candidato Flávio Bolsonaro negou qualquer ajuda dos EUA à oposição na eleição brasileira. A fala rebate a revelação de que o governo de Donald Trump exigiu, em negociações sigilosas com a gestão Lula, garantias de eleições livres em 2026 e o fim de restrições a dissidentes políticos. O pedido americano foi visto por autoridades do Brasil como uma intromissão para beneficiar Jair Bolsonaro, que está impedido de disputar o pleito após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) negou nesta quinta-feira, 17, haver negociações com o governo dos Estados Unidos sobre as eleições brasileiras.
"Não existe ajuda do governo americano. Essa narrativa não vai colar, desculpa. Quem resolve a eleição é a gente aqui. A oposição está disputando a eleição, vamos ganhar a eleição com as regras que estão aí, e, se Deus quiser, vai ser no primeiro turno", afirmou ao chegar em comício em Vitória da Conquista (BA).
A declaração vem depois de o Estadão/Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) mostrar que o governo de Donald Trump exigiu do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante negociações diplomáticas sigilosas após o tarifaço de 50% imposto ao Brasil, que "dissidentes políticos" no País não fossem detidos, presos ou impedidos "arbitrariamente" de participar da eleição presidencial de 2026.
Os Estados Unidos demandaram que o Brasil se comprometesse com a realização de eleições "livres e justas".
A exigência consta de um documento enviado pelos americanos aos negociadores brasileiros em outubro de 2025 - e obtido pelo Estadão/Broadcast - com 21 demandas. A reivindicação, considerada uma intromissão por integrantes do governo brasileiro, era mantida em segredo pelos dois lados.
"O Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral", disse o governo Trump. Para integrantes do governo brasileiro ouvidos pela reportagem, o pedido dizia respeito à participação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe, na eleição deste ano.