Flávio Bolsonaro diz que não tem ajuda do governo Trump nas eleições: 'Quem resolve é a gente aqui'

Reportagem exclusiva do 'Estadão' mostrou que, durante a negociação sobre o tarifaço, o governo dos Estados Unidos exigiu que o Brasil liberasse a participação de 'dissidentes políticos' no disputa eleitoral deste ano

17 set 2026 - 13h40
(atualizado às 13h41)
Resumo
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro negou receber auxílio de Donald Trump nas eleições, após revelação de que os EUA exigiram a liberação de "dissidentes políticos" no pleito brasileiro durante negociações diplomáticas sigilosas sobre tarifas. A demanda americana foi interpretada por membros do governo como uma tentativa de beneficiar Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe. Em campanha na Bahia, Flávio criticou a diplomacia atual de Lula e afirmou que vencerá com as regras vigentes.

VITÓRIA DA CONQUISA (BA) - O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), disse nesta quinta-feira, 17, não ter ajuda do governo de Donald Trump na disputa eleitoral. A declaração ocorre depois de o Estadão mostrar, com exclusividade, a exigência do governo americano para que o Brasil liberasse a participação de "dissidentes políticos" no pleito deste ano durante a negociação sobre o tarifaço.

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"Vamos ser bem claros: não existe ajuda do governo americano. Essa narrativa não vai colar. Quem resolve a eleição é a gente aqui. A oposição está disputando a eleição. A gente vai ganhar eleição com as regras que estão aí e se Deus quiser, vai ser no primeiro turno", disse Flávio, em agenda da campanha em Vitória da Conquista, na Bahia.

Flávio voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal oponente nas eleições, chamou a diplomacia brasileira de "porcaria" e afirmou que "o Brasil vai voltar a ser respeitado no cenário internacional". "Vou transformar a riqueza que Deus deu para o Brasil em riquezas para a nossa nação brasileira", acrescentou.

Flávio Bolsonaro em evento da campanha eleitoral
Flávio Bolsonaro em evento da campanha eleitoral
Foto: Divulgação / Estadão

A demanda explícita sobre as condições de realização do processo eleitoral em curso no País consta em documento enviado pelos americanos aos negociadores brasileiros em outubro de 2025, obtido pelo Estadão, com 21 demandas. O teor da exigência, considerado uma intromissão por integrantes do governo brasileiro, era mantido em segredo pelos dois lados até agora.

"O Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral", exigiu o governo Trump durante negociações diplomáticas sigilosas após o tarifaço de 50% imposto ao País.

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Para integrantes do governo brasileiro ouvidos pela reportagem, o pedido dizia respeito à participação do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado no ano passado por tentativa de golpe, nas eleições deste ano.

Procurado, o Itamaraty não quis comentar oficialmente o teor da proposta. O Departamento de Estado e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos não responderam aos pedidos da reportagem.

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