Entre Salvador e o interior, ACM Neto e Jerônimo travam disputa acirrada pelo governo da Bahia

Força do lulismo no interior, legado político de Neto em Salvador e preocupação com a segurança ajudam a desenhar o cenário eleitoral de 2026

24 set 2026 - 22h15
Resumo
ACM Neto (42%) e o governador Jerônimo Rodrigues (40%) estão em empate técnico na disputa pelo governo da Bahia, aponta a Quaest. Enquanto o petista aposta na força do lulismo e em sua base no interior para se reeleger, Neto foca no eleitorado da capital e das grandes cidades, amparado em seu legado como ex-prefeito de Salvador. Em meio ao racha político, a segurança pública lidera as exigências dos eleitores, motivando propostas de ruptura por parte da oposição e de continuidade pela situação.

Quem transita em Salvador e observa as ruas, se sente quase na torcida do Bahia, em polvorosa na Arena Fonte Nova, carregando as cores azul e vermelha. Diferente dos limites geográficos do estádio de futebol e ainda perto do clima da torcida organizada, a disputa pelo governo da Bahia, nas eleições de 2026, apresenta um duelo acirrado entre ACM Neto (União) e Jerônimo Rodrigues (PT), que carregam as marcas de legados políticos que antecederam suas atuações.

Para além da capital baiana, o embate ganha contornos distintos quando alcança o interior do Estado, onde as alianças políticas e a força do lulismo podem pesar novamente na escolha do próximo governador. Ao mesmo tempo, entre Salvador e os municípios, a segurança pública aparece como uma pauta que atravessa os discursos dos dois candidatos e deve ocupar espaço central na corrida pelo Palácio de Ondina.

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Levantamento da Quaest divulgado nesta quinta-feira, 24, aponta um empate técnico entre os dois. ACM Neto tem 42% das intenções de voto, enquanto Jerônimo aparece com 40%. Na pesquisa anterior, de 27 de agosto, ACM tinha 39%, enquanto Jerônimo somava 37%.

À esquerda, ACM Neto (União), e, à direita, Jerônimo Rodrigues (PT), candidatos ao Governo da Bahia em 2026.
À esquerda, ACM Neto (União), e, à direita, Jerônimo Rodrigues (PT), candidatos ao Governo da Bahia em 2026.
Foto: Divulgação / Estadão

Em busca da reeleição, o petista aposta no forte vínculo com o presidente Lula (PT) e na continuidade da sua atuação no território baiano nos últimos três anos e meio como estratégia para buscar a permanência no Palácio de Ondina. Candidato da oposição em mais uma eleição, Neto carrega sua ligação com o povo soteropolitano, advinda da sua gestão enquanto prefeito durante oito anos, como argumento para dialogar com as demandas apontadas pela população.

Entre o lulismo que fincou raízes no interior do Estado e dá capilaridade a Jerônimo Rodrigues, e a herança deixada na gestão municipal, acrescida dos aprendizados da família Magalhães e de um longo passado carlista na Bahia, do lado de ACM Neto, a população clama por mais segurança e saúde. 38% dos eleitores entendem que a segurança pública é a maior demanda a ser solucionada pelo próximo governo, enquanto a saúde aparece com 32% e o desemprego com 6%, aponta a pesquisa da Quaest, divulgada em 27 de agosto.

Em seus planos de governo, as pautas não foram esquecidas pelos candidatos. Neto, que crava na segurança pública um descaso dos governos anteriores, apresenta perspectivas de ruptura estruturadas em sete pilares de desenvolvimento. Entre as promessas, o candidato aponta para a criação de uma 'Governadoria da Segurança', ações de tolerância zero em relação à população privada de liberdade, focando ainda no isolamento de líderes de facção, além da intensificação do uso da tecnologia.

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Por outro lado, o que se vê com o aliado de Lula é uma intenção de continuidade do mandato atual, com atuação intensa no que diz respeito à prevenção e enfrentamento das organizações criminosas, expansão do Programa Bahia pela Paz, mantendo também a tecnologia e a inovação como aliadas da segurança pública em toda a Bahia.

O cientista político e doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Claudio André de Souza, atribui as lacunas vistas pela população, quando se fala em segurança e saúde, a resquícios do cenário nacional. "Existe uma percepção crescente de que a segurança é um grande problema, não só na Bahia como no Brasil. E a saúde tem uma relação muito intrínseca com a herança que a gente tem dos impactos da pandemia da Covid-19."

O mapa da disputa na Bahia

Com o quarto maior eleitorado do Brasil, a Bahia conta com 11.321.005 eleitores aptos distribuídos em 417 municípios. Em 2022, que também apresentou uma disputa quase que imprevisível, os interiores do Estado demonstraram protagonismo na eleição do então governador Jerônimo Rodrigues, comprovando a potência das alianças petistas no território baiano.

Para o novo ciclo de campanha, ACM Neto traçou como estratégia direcionar seus esforços para conquistar os votantes nas 40 maiores cidades da Bahia, com foco em Salvador e na Região Metropolitana, que somam quase 50% do corpo eleitoral.

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O cientista político Claudio André destaca que o lulismo nos interiores do Estado é um fator sensível nessa disputa: "O grande desafio para ACM Neto é como dialogar direta e indiretamente com esse eleitorado Lulista. É do interesse dele haver uma dissociação no alinhamento entre o voto para presidente e para governador".

Esse rompimento também aparece no levantamento da Quaest quando 39% dos participantes citam que o apoio de Lula não altera sua intenção de voto, enquanto 21% afirma que a aliança diminui sua possibilidade de escolher o candidato.

Além de ACM Neto e Jerônimo Rodrigues, outros candidatos também cumprem agenda eleitoral pela Bahia, é o caso de Ronaldo Mansur (PSOL), Aroldo Felix (UP), Maria Bona (PCO), além de Ariel Capistrano e Estêvão, ambos pelo partido Democracia Cristã.

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