Eduardo Bolsonaro confirma que será suplente de André do Prado em chapa ao Senado por São Paulo

Decisão foi anunciada em vídeo do ex-deputado federal ao lado do presidente da Assembleia

5 mai 2026 - 17h13
(atualizado às 17h51)

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro confirmou que o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), será candidato ao Senado por São Paulo e que ele ocupará a primeira suplência, mesmo morando atualmente nos Estados Unidos. A segunda vaga de suplente ficará com Fernando Fiori de Godoy, ex-prefeito de Holambra.

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André do Prado, Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro
André do Prado, Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro
Foto: Divulgação / Estadão

Mais cedo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, já havia confirmado o nome de André do Prado para a segunda vaga da chapa ao Senado. A primeira já era de Guilherme Derrite (PP). Ao ser questionado de Eduardo seria suplente de André do Prado, o governador disse que isso ele não sabia ainda.

O próprio André do Prado já havia confirmado a possibilidade de ter Eduardo de suplente, em entrevista ao Estadão publicada no final de abril.

"Fiz o convite para que, se a decisão for pelo meu nome, ele esteja na suplência", afirmou André do Prado na ocasião.

No vídeo anunciando sua pré-candidatura, André do Prado se colocou como "substituto" de Eduardo Bolsonaro e fez acenos ao bolsonarismo, chamando a prisão de Jair Bolsonaro (PL) de injusta e dizendo que assumiu um compromisso com Eduardo em várias pautas, entre elas, a anistia.

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Veja o vídeo com o anúncio de Eduardo Bolsonaro:

O apoio de Eduardo a André do Prado é questionado por integrantes do bolsonarismo, que criticam o respaldo a um deputado que não faz parte da ala ideológica e é umbilicalmente ligado ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Um dos principais críticos à escolha de André do Prado para a disputa ao Senado é o deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Mais cedo, no X, Salles afirmou não acreditar que Eduardo se sujeitaria a ser suplente "do pupilo do Valdemar Costa Neto". "Eduardo nunca se deu bem com essa turma corrupta do centrão fisiológico e anti-ideológico, que é justamente a ala valdemarista do PL. Ele não vai se deixar usar por eles", escreveu o parlamentar, que é pré-candidato ao Senado pelo Novo.

Na publicação em que confirmou o apoio ao presidente da Alesp, Eduardo Bolsonaro listou uma série de motivos para justificar a decisão, como o fato de André estar há 32 anos na vida pública, ser presidente do Legislativo paulista e ter dado sustentação ao governo Tarcísio.

"É um nome com projeção futura, inclusive com forte potencial para disputar o governo de São Paulo futuramente. E, principalmente: tem alinhamento nas pautas prioritárias, comprometendo-se a votar de forma convergente conosco em temas sensíveis", escreveu Eduardo.

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Uma eventual candidatura de Eduardo a suplente carrega riscos jurídicos. Isso porque o deputado teve o mandato cassado por excesso de faltas na Câmara e ainda responde a um processo no Supremo Tribunal Federal (STF), onde é acusado do crime de coação no curso do processo.

"Sobre a cassação por faltas, há espaço para discussão. Até onde tenho conhecimento, nunca houve análise de mérito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E, mesmo que houvesse, a composição da Justiça Eleitoral muda com frequência, e não é incomum que a Corte adote entendimentos diferentes sobre precedentes", afirma Fernando Neisser, professor de Direito Eleitoral da FGV-SP. "Já em relação ao processo criminal em andamento, uma eventual condenação até o prazo de registro das candidaturas, em 15 de agosto, tornaria Eduardo inelegível.

Quem é André do Prado?

Natural de Guararema, André do Prado iniciou sua trajetória política como vereador na cidade, onde também foi vice-prefeito e prefeito. Atualmente, está em seu quarto mandato consecutivo na Assembleia paulista e chegou à presidência da Casa por meio de uma articulação de Valdemar Costa Neto.

Embora não fosse a escolha inicial de Tarcísio de Freitas para o posto, André conquistou a confiança do governador ao viabilizar a aprovação de todos os projetos de interesse do Executivo, incluindo a privatização da estatal de saneamento (Sabesp) — o mais impopular deles —, a PEC da Educação e o programa de escolas cívico-militares. Hoje, é visto como um dos principais aliados de Tarcísio no Legislativo estadual.

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Apesar de ser filiado ao partido de Jair Bolsonaro, André vive uma situação inusitada na Alesp: é visto com bons olhos pela oposição, em especial, pelos deputados do PT, com quem costurou um acordo para ser reconduzido à presidência da Casa no ano passado.

Em entrevista ao Estadão em janeiro do ano passado, quando já era cotado para compor a chapa de Tarcísio como candidato a vice-governador ou ao Senado, o deputado atribuiu a boa relação com o PT ao seu perfil conciliador. "Eu sou de uma ala mais moderada. Uma ala que procura fazer uma convergência maior do que uma ala, muitas vezes, que tem um pensamento mais forte, direcionado", disse.

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