Edinho Silva diz que crise no STF prejudica Lula, mas que presidente se posicionou corretamente

Presidente do PT avalia que embate na Corte 'penaliza quem está no poder' e que gestão petista 'pode ter cometido erros' e que é possível melhorar alguns pontos, como a gestão do gasto público

18 set 2026 - 14h48
(atualizado às 15h15)
Resumo
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que a crise no STF prejudica Lula eleitoralmente, pois o senso comum confunde os Poderes como parte de um mesmo sistema desgastado. Apesar do impacto negativo nas pesquisas, Edinho defendeu a postura de Lula em apoiar investigações sobre elos de magistrados com o Banco Master. O petista admitiu falhas na gestão pública, mas criticou o Congresso e a oposição, apostando que o eleitor indeciso garantirá a vitória de Lula ao contrastar projetos de país.

BRASÍLIA - O presidente do PT, Edinho Silva, disse nesta sexta-feira, 18, em entrevista para a Globo News, que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) atinge o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por conta do pensamento do senso comum de que o Executivo e o Judiciário fazem parte de um mesmo "sistema".

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"A crise penaliza o incumbente, aquele que está no poder e na frente do governo. Aos olhos da sociedade e do senso comum, governo, Legislativo e Judiciário são tudo a mesma coisa, é o sistema que conduz o País", declarou o presidente do PT.

Edinho disse também que os conflitos entre os magistrados assolam o ambiente político. O presidente do PT disse ter consciência do desgaste que a campanha petista sofreu, mas que Lula se posicionou corretamente sobre o tema ao defender a investigação dos magistrados que tiveram ligações espúrias com o Banco Master "doa a quem doer".

"Quando vivenciamos uma crise envolvendo a Suprema Corte e a instância máxima do Judiciário brasileiro e, aos olhos da sociedade, o Judiciário é o poder intocável porque é ele que vai arbitrar quando tem conflitos na sociedade e, portanto, tem que estar acima de qualquer suspeita, assola todo o ambiente político brasileiro", disse Edinho.

Como mostrado pela Coluna do Estadão, Lula chegou a ser orientado a "largar a mão" de Alexandre de Moraes, desde que começou a despencar nas pesquisas de intenção de voto, mas o distanciamento foi apenas cálculo eleitoral e, na prática, não ocorreu, então a campanha petista continuou sangrando com a crise.

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Nesta sexta-feira, 18, Lula se manifestou novamente sobre o assunto e defendeu que o STF julgue de forma conjunta as acusações que pesam contra Moraes e André Mendonça. Foi a primeira vez que o presidente defendeu publicamente a junção das ações.

Na quinta, 17, Lula afirmou que o presidente da Corte, Edson Fachin, tem responsabilidade de impedir que crise no STF atrapalhe o processo eleitoral, e mirou ataques a Flávio, para vincular ao senador a imagem do banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista da crise. Na ocasião, voltou a cobrar explicações de Flávio sobre os recursos dados Vorcaro para supostamente financiar o filme 'Dark Horse' sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Lula ainda elogiou a atuação de Moraes à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na eleição de 2022 e disse que o ministro prestou "grandes serviços à democracia brasileira", mas buscou se descolar da crise que cerca o ministro ao afirmar que "não era presidente quando o Moraes foi indicado para a Suprema Corte".

Gestão Lula 'pode ter cometido erros' mas busca 'aprimorar o Brasil e melhorar o gasto público'

Edinho avaliou ainda que o governo Lula "pode ter cometido erros" e que é possível melhorar alguns pontos, como a gestão do gasto público. Mas afirmou que o projeto petista é muito distante do projeto de Flávio Bolsonaro.

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"Podemos ter cometido erros no governo, podemos ter desafios para aprimorar o Brasil, tornar o Brasil mais eficiente, melhorar o gasto público, reconhecer que temos muito o que fazer para o Brasil melhorar, mas nosso projeto é muito diferente do deles", apontou o dirigente partidário. "Uma coisa é falar de divergências, de aprimorar um projeto, o gasto público, um modelo de Estado. Outra coisa são lideranças que tentam um golpe e arquitetam assassinatos", acrescentou.

Nesse cenário, Edinho considera que o eleitor indeciso garantirá a vitória de Lula nas eleições deste ano. "Quando nós aprofundarmos esse debate do Brasil que eles representam e o Brasil que o presidente Lula representa, eu não tenho nenhuma dúvida de que esse eleitor que está indeciso vai enxergar que a mudança que o Brasil precisa fazer está representada no presidente Lula", opinou Edinho.

O presidente do PT também defendeu uma discussão sobre reforma política, declarando que a sociedade está refém de um Congresso que atua como um "balcão de negócios". Edinho, porém, declarou que o governo trabalhou em harmonia com todos os partidos, exceto os da oposição.

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