Durigan: tudo indica que recurso para operações como 'Dark Horse' veio do mesmo bolso de crime

Ministro da Fazenda alertou também para o risco de cooptação de fintechs e fundos de investimento pelo crime organizado

24 set 2026 - 10h58
(atualizado às 11h31)
Resumo
A operação Crédito Oculto revelou que fundos de investimento movimentaram R$ 11 bilhões para lavar dinheiro do crime organizado, incluindo o PCC, por meio do grupo Entre. Segundo o ministro Dario Durigan, esses recursos ocultaram a compra de uma distribuidora de combustível e financiaram o filme Dark Horse. Ele alertou sobre a infiltração criminosa em fintechs e anunciou o uso de inteligência artificial pela Fazenda e Receita Federal para rastrear transações suspeitas no mercado de capitais.
Ministro da Fazenda, Dario Durigan
Ministro da Fazenda, Dario Durigan
Foto: Reuters

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira, 24, que a terceira fase da operação Carbono Oculto, deflagrada nesta manhã, foi capaz de identificar instrumentos de fundos de investimento sendo utilizados para lavar dinheiro e ocultar patrimônio para diversos braços do crime organizado, injetando liquidez, inclusive, em operações como o financiamento do filme Dark Horse.

A operação, que recebeu o nome de Crédito Oculto, uniu esforços da Receita Federal, Ministério Público de São Paulo (MPSP), Ministério Público, dentre outras instituições.

Publicidade

Esse desdobramento da Carbono Oculto identificou uma estrutura financeira intermediada e estruturada a partir do grupo empresarial Entre, que agia como principal receptador e administrador de recursos relacionados à aquisição de uma distribuidora de combustível pelo crime organizado, ocultando os verdadeiros proprietários.

Nova fase da Operação Carbono Oculto mira ex-diretor do Banco Genial e executivo ligado ao Master
Video Player

Ao todo, segundo Durigan, a movimentação financeira desse grupo chegou à cifra de R$ 11 bilhões e o dinheiro recebido pela entidade teria relação não só com o PCC, mas também com o Banco Master, além do financiamento do filme Dark Horse.

"Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações como financiamento do Dark Horse, vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso. E aí é muito complicado você identificar o que é cada coisa. Se você tem dinheiro do PCC, tem dinheiro de usina de etanol, do crime organizado, de distribuidora de combustível do crime organizado, no mesmo bolso, no mesmo fundo, é necessário um trabalho de investigação para identificar o que saiu desse fundo", disse Durigan.

O ministro da Fazenda alertou também para o risco de cooptação de fintechs e fundos de investimento pelo crime organizado e reafirmou que Receita Federal e Ministério da Fazenda farão esforço conjunto para automatizar com auxílio de inteligência artificial a identificação de movimentações suspeitas no mercado de capitais.

Publicidade
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se