Dilma e Aécio fazem debate na televisão menos tenso que os anteriores

20 out 2014 - 01h29

A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, e o líder opositor, Aécio Neves, fizeram neste domingo mais um debate na televisão, desta vez menos tenso que os anteriores, mas sem que um dos dois conseguisse ter uma vantagem para as eleições do próximo domingo, dia 26 de outubro.

Sem as acusações de caráter pessoal que marcaram o debate anterior na quinta-feira passada, os dois candidatos tentaram este domingo elevar o nível da campanha com a discussão de temas de interesse geral como impostos, crescimento econômico, inflação, segurança pública, saúde e educação.

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No final do debate, ao ser perguntada por jornalistas se o tête-à-tête na Rede Recorde tinha sido uma "filme romântico" comparado com o clima tenso dos outros, Dilma respondeu: "Quando me dão oportunidade, eu sou calma".

No entanto, em seu balanço do debate, Dilma aproveitou para abordar o tema da crise da água do estado de São Paulo, a mais grave em sua história e que põe em risco o abastecimento da capital.

A presidente acusou o governo regional, nas mãos do PSDB, de Aécio, de ser omisso às advertências, anos atrás, das autoridades sobre o risco que se corria em caso de uma seca como a atual.

Aécio, por sua vez, declarou depois do encontro que ele tinha sido "o melhor debate do ponto de vista de proposta" e acrescentou: "Penso no futuro e não fico olhando para o passado como a candidata".

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"Prefiro sempre um debate de ideias", enfatizou Aécio, que se declarou "orgulhoso e honrado" ao ser comparado por Dilma com Fernando Henrique Cardoso, o único presidente do PSDB (1995-2002), mas advertiu que suas propostas são "novas" e sob "outra realidade".

Apesar da ausência da palavra "mentira" que foi repetida várias vezes no debate da quinta-feira no SBT, os candidatos se contrariaram reiteradas vezes ao citar números relacionados à gestão dos governos do PT e do PSDB.

Inclusive, Aécio chegou a citar as crises internas no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por supostas pressões do governo na divulgação de dados.

A economia e o escândalo de corrupção na Petrobras levantaram um pouco o tom no penúltimo debate, a uma semana exata do segundo turno.

Quando Aécio questionou o crescimento inferior a 0,3% para este ano, Dilma qualificou seu oponente como "pessimista" e este, por sua vez, criticou a inflação alta.

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"As pessoas estão assustadas com a inflação", que beira o limite máximo da meta anual de 6,5%, disse Aécio, perguntando várias vezes a Dilma sobre se o governo tinha o controle inflacionário.

"Tenho a certeza de que a inflação está sob controle e isso é inequívoco", retrucou a presidente, considerando a meta proposta de Aécio em caso de ser eleito presidente, de 3%, como "arriscada".

Em seguida, Aécio comparou o crescimento do país e o da inflação com a de outras nações latino-americanas, como México, Chile e Peru, mas em seu direito de resposta Dilma disse que preferia comparações com "grandes" economias como a da Alemanha.

Com um debate mais ameno este domingo, os candidatos começam nesta segunda-feira uma intensa agenda de compromissos para conquistar o grande número dos eleitores indecisos e na sexta-feira no Rio de Janeiro, no debate promovido pela Rede Globo, terão seu último encontro.

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São Paulo será um dos alvos da campanha do PT, que programou para esta segunda-feira um comício no bairro de Itaquera com Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva,

No primeiro turno das eleições, Dilma teve 41,5% dos votos, seguida por Aécio, com 33,5%.

Para o segundo turno, eles aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas de intenções de voto, com uma leve vantagem de 51% de Dilma sobre Aécio, que tem 49%.

  
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