Dias Toffoli: Quando se ataca o Judiciário, o que querem atacar é o pobre

Ministro do STF e do TSE relacionou a atuação do Judiciário à proteção de grupos que, segundo sua avaliação, historicamente tiveram menos acesso aos espaços de poder; 'É o Poder Judiciário que mais trabalha no mundo, per capita'

31 ago 2026 - 13h47
(atualizado às 15h15)
Resumo
O ministro do STF Dias Toffoli afirmou que os ataques ao Judiciário atingem, em última análise, a população mais vulnerável. Em evento no Rio de Janeiro, o magistrado destacou que a Constituição de 1988 incumbiu a Justiça de efetivar direitos sociais, a igualdade de gênero e a proteção aos historicamente desfavorecidos. Toffoli também defendeu a atuação da magistratura brasileira, ressaltando o amplo acesso da sociedade e o alto volume de trabalho do setor no país.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Dias Toffoli afirmou nesta segunda-feira, 31, que críticas e ataques ao Poder Judiciário acabam atingindo, na avaliação dele, a parcela mais vulnerável da população. A declaração foi feita durante a abertura do Fórum Permanente de Direito Eleitoral e Político da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), no Rio de Janeiro.

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Segundo Dias Toffoli, a Constituição Federal de 1988 transformou o papel das instituições brasileiras ao ampliar a participação da sociedade e estabelecer mecanismos para garantir, na prática, direitos previstos na Carta Magna.

Toffoli diz que ataques ao Judiciário atingem defesa dos mais pobres
Toffoli diz que ataques ao Judiciário atingem defesa dos mais pobres
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

"Quando a magistratura está sendo atacada, o que querem atacar é o pobre", disse o ministro. Na sequência, ele relacionou a atuação do Judiciário à proteção de grupos que, segundo sua avaliação, historicamente tiveram menos acesso aos espaços de poder. "Querem atacar os despossuídos, a igualação de gênero que a Justiça faz na prática, a defesa daqueles que não têm voz. O acesso ao judiciário brasileiro é amplo e irrestrito", afirmou.

Toffoli mencionou ainda a amplitude do acesso ao Judiciário brasileiro e o volume de processos analisados pela Justiça. "É o Poder Judiciário que mais trabalha no mundo, per capita", analisou.

Durante o discurso, o ministro classificou a Constituição de 1988 como um divisor de águas para a estrutura institucional brasileira. Segundo ele, antes da promulgação da Carta, as instituições tinham um caráter mais restrito e distante da participação popular.

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Toffoli afirmou que a Constituição atribuiu ao Judiciário a responsabilidade de transformar os direitos previstos no texto constitucional em garantias efetivas. Na avaliação do ministro, a Carta não poderia se limitar a estabelecer princípios sem mecanismos capazes de assegurar sua aplicação. "Não poderia ser apenas uma folha de papel", disse.

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