Deputada entra com filha de 4 meses no plenário antes da desocupação da Mesa Diretora

Presidente da Casa, Hugo Motta ameaça utilizar a polícia legislativa e suspender mandatos

6 ago 2025 - 21h28
(atualizado às 23h05)

BRASÍLIA - A deputada bolsonarista Julia Zanatta (PL-SC) entrou no plenário da Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira, 6, com a filha de quatro meses no colo A parlamentar já havia gravado um vídeo participando da obstrução da oposição em prol do ex-presidente Jair Bolsonaro, com a bebê do colo e sentada na cadeira do presidente da Casa, Hugo Motta.

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Após tumulto que durou horas, ele conseguiu reaver o seu lugar na Mesa Diretora e abriu a sessão por volta das 22h25. A reunião foi encerrada após um breve discurso, no qual Motta defendeu o diálogo em vez da agressão.

"Nós tivemos um somatório de acontecimentos recentes que nos trouxeram a esse sentimento de ebulição dentro da Casa. É comum? Não. Nós estamos vivendo tempos normais? Também não. Mas é justamente nessa hora que não podemos negociar a nossa democracia e aquilo que para essa Casa é o sentimento maior, que é termos a capacidade de dialogar, fazermos os enfrentamentos necessários e deixarmos a maioria se estabelecer", declarou ele.

Antes, Júlia Zanatta se manifestou na rede social X. "Os que estão atacando minha bebê não estão preocupados com a integridade da criança (nenhum abortista jamais esteve) eles querem é INVIABILIZAR o exercício profissional de uma MULHER usando SIM uma criança como escudo. CANALHAS!", escreveu a deputada.

Julia Zanatta com o bebê no colo em meio ao risco de desocupação do plenário pela polícia legislativa
Julia Zanatta com o bebê no colo em meio ao risco de desocupação do plenário pela polícia legislativa
Foto: Reprodução/@juliazanattasc via Instagram / Estadão

Também antes da situação ser resolvida, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), declarou que a expectativa para a sessão plenária prevista para esta noite é da "retomada" da cadeira do presidente da Casa. Segundo o petista, a ação vai significar o retorno à institucionalidade.

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Farias ainda fez duras críticas à deputada Julia Zanatta. Ele afirmou que a assessoria jurídica do PT estuda o caso, inclusive a possibilidade de acionar o Conselho Tutelar.

Já a líder do PSOL, Talíria Petrone (RJ), disse que os líderes da Casa acordaram que não haveria negociação com a oposição antes que Motta reassumisse sua cadeira. Líderes se reuniram com o presidente em seu gabinete para tratar da desmobilização.

Logo antes de entrar no gabinete de Motta, o 1º vice presidente da Casa, Altineu Cortes (PL-RJ), indicou que o ex-presidente Arthur Lira (PP-AL) estava "ajudando" na negociação para a retomada da mesa. "Ele tem experiência, é natural que converse para ajudar", declarou.

Motta convocou uma sessão para as 20h30 e sinalizou que deputados que tentassem impedi-lo de abrir a sessão poderiam ser suspensos por seis meses. Líderes indicaram ainda que havia possibilidade de a Polícia Legislativa ser acionada para desocupar a mesa em último caso. A medida não foi necessária.

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A deputada Júlia Zanatta aparece sentada na cadeira de Hugo Motta, presidente da Câmara, com a filha no colo
Foto: Pepita Ortega/Estadão / Estadão

A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) chegou a indicar que pediu às parlamentares de oposição que saíssem da Mesa da Câmara, permanecendo em plenário para a obstrução, justamente ante a possibilidade da força ser utilizada.

Até a desobstrução, somente deputados puderam entrar no plenário. Assessores e jornalistas aguardam a liberação de entrada no Salão Verde.

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