A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira, 15, foi repleta de referências em diversas áreas do conhecimento, do Direito à Literatura, durante os discursos dos magistrados. O ministro Flávio Dino, por exemplo, citou o filósofo grego Aristóteles enquanto conversava com o presidente da Corte, Edson Fachin.
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"A ironia serve para descontrair o ambiente. Aristóteles", disse o magistrado. O filósofo, que viveu há mais de 2 mil anos, tem duas obras dedicadas à ironia: Ética a Nicômaco e Retórica. Ao longo do dia, por diversas vezes, Dino usou referências durante suas falas e seus posicionamentos citando, também, o Livro de Eclesiástico, texto da Bíblia.
Entre os autores de Direito Penal mencionados pelo ministro estão Luigi Ferrajoli, Luís Greco Hassemer, Francisco de Assis Toledo, Eugenio Raúl Zaffaroni, Claus Roxin e Gustavo Henrique Badaró. Este último, inclusive, teve uma cópia de livro exposta por Dino na sessão.
Dino também citou o cantor e compositor baiano Chico César, o filósofo inglês Thomas Hobbes e o humorista Fábio Porchat.
"Vossa excelência viu o vídeo de Fábio Porchat? É um vídeo muito bom, porque nós estamos parecidos. Eu cheguei atrasado porque estava decretando prisão de gente. Porque é tanta petição, presidente... Mas é bom você ouvir o vídeo, ele fala dos jornalistas", perguntou Dino ao presidente da Corte, o ministro Edson Fachin.
Ao iniciar seu discurso para votar, a ministra Cármen Lúcia referenciou a autora Clarice Lispector. Ela pediu desculpas ao povo brasileiro e afirmou estar em "estado de profunda consternação e tristeza", acrescentando: "Me ligam relações de amizade a alguns, de coleguismo a outros, mas eu dizia que eu bebi da lição de Clarice Lispector: 'Eu não me perdi, mas experimentei a perdição'".
Em outro momento, Santa Luzia, santa católica considerada protetora da visão e dos olhos, foi citada tanto por Dino quanto por Cármen Lúcia. O ministro afirmou que conheceu a história da padroeira por meio da colega magistrada.
"Eu conheci uma senhora e ela me dizia que chegava tarde em casa e, para ninguém saber, inclusive o cônjuge dela, ela rezava para Santa Luzia para que ele [o marido] não visse. Cheguei a conclusão de que Santa Luzia é mais versátil", brincou a ministra após Dino alegar que achou que ela "pediria vista" do julgamento.