O senador Ciro Nogueira (PP-PI) enviou mensagens a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pedindo para permanecer por mais "uns três meses" em apartamento emprestado pelo banqueiro, segundo informações da Polícia Federal (PF) reveladas pela revista Piauí.
O pedido do senador a Vorcaro foi feito em 2 de novembro passado, duas semanas antes de o banqueiro ser preso pela primeira vez pela PF, por suspeitas de fraudes bancárias.
Em nota nas redes sociais no mês passado, Ciro Nogueira afirmou que sofre uma "tentativa de manchar" sua honra pessoal e que "em todo ano político é a mesma coisa". Questionado pela revista, não quis comentar.
De acordo com a revista, Ciro passou a usar o imóvel de Vorcaro, em São Paulo, depois que terminou um relacionamento com a então companheira e a deixou morar temporariamente no próprio apartamento.
A permanência no imóvel que pertence a Vorcaro seria pelo tempo necessário para as obras em um outro apartamento, onde a mulher passaria a morar em seguida.
Em uma das mensagens a Vorcaro, o senador disse que daria uma "explicação" ao banqueiro, a quem chamava de "irmão".
"Eu comprei um apartamento agora para Flávia (...) para (eu) poder voltar e devolver o apartamento. Só que ainda tem que botar piso, essas coisas, vai demorar uns três meses. Mas, se tu precisar aqui antes, me avisa que eu dou um jeito. Não quero abusar da tua boa vontade, não. Tá bom, meu irmão?", disse.
Na troca de mensagens, Vorcaro não entendeu de imediato o pedido do senador e chegou a perguntar se Ciro Nogueira estava precisando de um outro imóvel.
"Vc tá falando do apto em SP em que já está? Ou precisa de outro?", perguntou. Ciro Nogueira esclareceu: "É o que eu tô". O senador disse ainda que fazia a pergunta por estar "preocupado de você estar precisando".
Em seguida, conforme as mensagens, ele foi tranquilizado por Daniel Vorcaro: "Irmãozão, já te falei desse apto. Zero estresse. Vamos conversar depois".
Em maio, Ciro Nogueira foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela PF em operação que apura indícios de irregularidades na relação. A diligência foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Segundo a PF, o senador recebeu propinas de Daniel Vorcaro e "instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar" em favor dos interesses do banqueiro no Congresso Nacional. Os pagamentos seriam de R$ 300 mil e teriam evoluído para R$ 500 mil.
O Estadão tinha revelado que a PF encontrou no celular do banqueiro diálogos com o senador e ordens de pagamento destinadas a uma pessoa identificada apenas como "Ciro". Na ocasião, o parlamentar afirmou conhecer Vorcaro, mas negou proximidade e recebimento de pagamentos.