O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou nesta segunda-feira, 27, que a eleição presidencial deste ano será decidida na "margem de erro" e que, enquanto Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) estiverem vivos, não há espaço para a terceira via.
"Não existe possibilidade disso acontecer (da terceira via vencer a eleição)", disse o líder do PP. "Se você for ver, fatalmente, acho que a eleição de 2022, as pessoas voltaram para o Lula para derrotar o Bolsonaro e agora estão voltando, claro, para derrotar o Lula. É uma eleição de rejeição."
Para Ciro, a eleição "está nas mãos" de Flávio Bolsonaro, mas ele pode "jogar isso fora" se decidir falar com a "extrema direita". O senador defendeu que Flávio deve "olhar para frente" e não perder falando do Lula. Segundo ele, é isso que o eleitorado deseja, e não ficar preso em discussões como o 8 de janeiro.
"Se ele vier como candidato com a proposta de unificar o Brasil, com um discurso de que não vai perder tempo com o Lula - assim como perdemos tempo com Lula falando do Bolsonaro -, mas, sim, olhar para a frente e unir o país, então ele tem tudo para ganhar a eleição, porque fala com a maioria. É isso que as pessoas realmente querem", disse Nogueira.
"É uma eleição que vai ser definida na margem de erro. Não pode errar", completou.
Citado em conversas de Daniel Vorcaro, o senador disse acreditar que o escândalo do Banco Master não vai ser decisivo para a eleição. Na opinião dele, "é difícil jogar o escândalo Master no colo do Lula ou do Flávio".
"São situações que remetem a todo o quadro político do País", declarou. "Eu não vejo isso como decisivo para a eleição. Eu acho que o que vai ser decisivo é alguém que possa vender (um projeto com) o futuro do País, alguém que olhe para frente, que pare de governar olhando para o retrovisor e passe uma imagem de que vai unificar o Brasil."
O dirigente partidário participou de um jantar com empresários, organizado pelo grupo Esfera Brasil, em São Paulo (SP). Também compareceram a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, e a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi.
O dirigente partidário afirmou ainda que, de acordo com as pesquisas às quais teve acesso, o eleitorado que decide a eleição hoje representa cerca de 13%. Disse ainda que, no Brasil, desde a eleição de Fernando Henrique, aproximadamente 44% do eleitorado tende a votar mais à esquerda e 43% mais à direita.
Segundo ele, esse contingente decisivo se concentra principalmente em Minas Gerais e São Paulo, com uma parcela menor no Sul, e teria um perfil mais de centro e mais conservador. Por isso, avaliou que a eleição estaria bem encaminhada para uma vitória do centro e da direita, embora tenha admitido que há também o fator de sua própria "torcida", sem negar isso.