BRASÍLIA - A CPI do Crime Organizado aprovou a convocação do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, após ele faltar pela segunda vez o convite da comissão para prestar esclarecimentos.
O requerimento foi colocado na pauta do colegiado após Campos Neto alegar "compromissos profissionais previamente agendados" para justificar a falta.
Esse pedido é de autoria do relator da CPI, Alessandro Vieira (MDB-SE). "O depoimento de Roberto Campos Neto pode ser de grande utilidade diz respeito aos procedimentos adotados pelo Banco Central para autorizar o ingresso de novos controladores no sistema financeiro nacional", afirmou.
Vieira também quer que Campos Neto preste esclarecimentos sobre o Banco Master. "Daniel Vorcaro (dono do Master) buscou ingressar no sistema financeiro nacional ao longo de toda a década de 2010, sem êxito. Em outubro de 2019, a diretoria colegiada do Banco Central autorizou a transferência de controle do Banco Máxima para Vorcaro — instituição que, nos anos seguintes, foi rebatizada como Banco Master e se tornou o principal veículo do esquema investigado", afirmou.
Campos Neto foi chamado anteriormente por meio de um requerimento do senador Jaques Wagner (PT-BA), que pediu para o ex-presidente do BC esclarecer possíveis falhas na atuação da autarquia no combate à lavagem de dinheiro e à infiltração do crime organizado no sistema financeiro.
Wagner argumentou que mudanças regulatórias feitas durante a gestão de Campos Neto podem ter flexibilizado controles e facilitado irregularidades.
A CPI chegou a agendar uma oitiva com Campos Neto no começo de março - o ex-presidente também faltou a esse convite.