O candidato à Presidência Ronaldo Caiado criticou a condução da sessão do STF pelo presidente Edson Fachin, afirmando que faltou pulso firme para barrar questões de ordem e focar na análise das conversas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Para o ex-governador, as intervenções tumultuaram o julgamento e evidenciaram um tribunal rachado em bancadas, o que aprofunda a desilusão da população com as instituições. Ele defendeu ainda que os casos de Moraes e André Mendonça sejam julgados à parte.
O candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, criticou nesta quarta-feira a sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal (STF) que iria inicialmente avaliar a petição que aponta conversas entre o ministro da Corte Alexandre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo ele, o colegiado deveria ter focado em discutir a matéria em si e faltou uma "mão firme" por parte do presidente do Supremo, o ministro Edson Fachin, para evitar que a sessão de ontem "descambasse, como descambou".
Na avaliação de Caiado, qualquer pedido de questão de ordem deveria ter sido rejeitado pelo presidente Fachin, para não atrapalhar a votação da matéria em si, que iria se debruçar sobre as mensagens entre Moraes e Vorcaro. "Deveria ter rejeitado todas as questões de ordem e passado ao voto imediatamente. Aí sim nós teríamos um resultado", disse Caiado em coletiva de imprensa, após participar de um almoço com empresários em São Paulo.
No julgamento de ontem, o decano do Supremo, ministro Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem para ser tratada antes do mérito. O magistrado apontou que o presidente Fachin não deveria ter tomado a relatoria do ministro André Mendonça sobre o caso. Além disso, questionava se o processo sobre Mendonça deveria ser associado ao de Moraes.
"Para presidir um colegiado de iguais, você precisa ter ali a mão forte para que não descambe para o lado que descambou. Não é questão de ser fraco ou forte, mas eu já fui parlamentar. Eu sei quando alguém quer votar a matéria e quando não quer votar", detalhou o presidenciável.
Questionado sobre se ele concorda que Moraes e Mendonça deveriam ser julgados separadamente, Caiado respondeu que sim. "Lógico, não tem nada a ver uma coisa com a outra. Não tem nem por que uma questão de ordem que não está na pauta", pontuou. "Numa sessão daquela, rejeita-se todas as questões de ordem que colocaram. Próximo assunto é a pauta: declara seu voto, se abstém e vai para o próximo", complementou o ex-governador de Goiás.
Ainda segundo Caiado, o Supremo demonstrou ontem que está "rachado" e que há dúvidas sobre o Tribunal conseguir garantir o funcionamento adequado das instituições. "Nós vimos ontem um Supremo rachado. Você acha que ele vai se unir de novo? Ele vai voltar a pensar na população brasileira e no País? Ou ali tem duas bancadas formadas?", questionou o presidenciável, pontuando, ainda, que a situação recente do STF ajuda a alimentar o sentimento de "desilusão completa" do brasileiro com as instituições.