Acampamento indígena em Brasília anuncia apoio à reeleição de Lula, mas aponta contradições

11 abr 2026 - 12h20

Organizações de defesa aos povos indígenas reunidas no Acampamento Terra Livre (ATL), realizado nesta semana em Brasília, divulgaram uma carta aberta em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas afirmam que "persistem contradições" e criticam a exploração de petróleo na Foz do Amazonas.

O documento intitulado "Nosso apoio demanda compromisso" foi divulgado na sexta-feira 10. O texto foi assinado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e outras sete organizações indígenas. O acampamento teve início na segunda-feira, 6, e teve programações ao longo da semana na capital federal.

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"Para nós, povos indígenas, soberania é demarcar todas as Terras Indígenas e garantir a proteção física e cultural dos nossos povos. Diante desse cenário, afirmamos nosso apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026. Nosso apoio não é cego", escreveram. "Seguimos com autonomia para cobrar e pressionar politicamente os rumos das decisões que afetam nossas vidas", acrescentaram.

Na sequência, as organizações indígenas reivindicam mais estrutura e orçamento para políticas indígenas e pedem respostas às crises do clima com os territórios indígenas no eixo central. As entidades dizem reconhecer mudanças importantes no período recente e mencionam como exemplo a criação do Ministério dos Povos Indígenas e a retomada de demarcações, mas afirmam que os avanços não respondem à "urgência do momento".

"Persistem contradições em temas estratégicos. Ao mesmo tempo em que há compromisso ambiental, seguem pressões por grandes empreendimentos e novas frentes de exploração, como o petróleo na Foz do Amazonas. Essa lógica mantém a exploração dos territórios sob nova linguagem e exige uma posição firme que coloque a demarcação no centro da política climática", diz o manifesto.

Em 5 de fevereiro de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concedeu autorização para a Petrobras retomar a perfuração do poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial. A sonda estava com a operação suspensa desde 4 de janeiro, após um incidente ter provocado o vazamento de fluido de perfuração biodegradável. Segundo a empresa, não houve risco ambiental.

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A Petrobras foi multada em R$ 2,5 milhões pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) pelo vazamento. Nesta semana, a estatal informou que enviou ao Ibama as informações solicitadas para obtenção da autorização para perfuração de mais três poços na bacia da Foz do Amazonas.

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