Eduardo Bolsonaro questionou o pedido da PGR de condenação para Jair Bolsonaro, acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado e outros crimes, em manifestação enviada ao STF.
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez uma publicação nas redes sociais na manhã desta terça-feira, 15, comentando as alegações finais da Procuradoria-Geral da República (PGR) que pede a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado.
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"PGR Gonet pede até 43 anos de prisão de Jair Bolsonaro. A quem interessa tudo isso?", diz um trecho do post. Veja:
PGR Gonet pede até 43 anos de prisão de @jairbolsonaro por:
-Tentativa de golpe
-Abolição violenta do Estado democrático de direito
-Organização criminosa armada
-Dano qualificado
-Deterioração de patrimônio tombado
A quem interessa tudo isso?
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) July 15, 2025
Alegações finais da PGR
Em uma manifestação de 517 páginas, a PGR pediu a condenação de Bolsonaro e de seus ex-ministros e militares que, segundo a acusação, integraram o 'núcleo crucial' do plano de golpe de Estado.
No documento, denominado de alegações finais, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apontou Bolsonaro como líder da organização criminosa e afirmou que o ex-presidente é o "principal articulador, maior beneficiário e autor dos mais graves atos executórios voltados à ruptura do Estado Democrático de Direito."
As alegações finais são a última oportunidade para acusação e defesa se manifestarem sobre as provas e as teses levantadas ao longo da ação penal. Agora, caberá à defesa dos oito réus apresentar seus fundamentos aos cinco ministros da Primeira Turma. Na fase de instrução do processo todos negaram ligação com a trama. O documento da PGR foi entregue à 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal.
Os crimes atribuídos a Bolsonaro e a seus aliados são:
- tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (pena de 4 a 8 anos);
- golpe de Estado (pena de 4 a 12 anos);
- organização criminosa armada (pena de 3 a 8 anos que pode ser aumentada para 17 anos com agravantes citados na denúncia);
- dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima (pena de 6 meses a 3 anos);
- deterioração de patrimônio tombado (pena de 1 a 3 anos).
O que diz Bolsonaro sobre a acusação de golpe de Estado?
Durante o depoimento ao STF em junho, Bolsonaro negou as acusações e afirmou algumas vezes ter seguido 'dentro das quatro linhas'. “Muitas vezes me revoltava, falando palavrão. Falava o que não deveria falar. Sei disso. Mas, no meu entender, fiz aquilo que tinha de ser feito”, disse, em um dos momentos, sempre com Constituição Federal em cima de sua mesa.
Seguindo o mesmo tom, Bolsonaro minimizou a reunião com ministros para discutir a suposta minuta de golpe. “Não existia essa vontade. O sentimento de todo mundo era de que não tínhamos mais nada o que fazer. Se tivesse que ser feita alguma coisa, seria lá atrás, via Congresso Nacional. Não foi feito, então, tínhamos de entubar o resultado das eleições”, declarou para a Primeira Turma do STF.
Já sobre o fato dele não ter passado a faixa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como é de praxe em mudanças de governos, o motivo foi pautado em vergonha. “Eu não ia me submeter à maior vaia da história do Brasil, o senhor há de concordar comigo”, afirmou.
O Terra entrou em contato com a defesa do ex-presidente sobre as alegações finais da PGR e aguarda retorno. (*Com informações do Estadão Conteúdo)