Provedores de internet foram vandalizados e ameaçados por criminosos ligados a facções em Alcântaras, interior do Ceará. Com mensagens exigindo a saída das empresas em 24 horas sob risco de incêndio, os ataques teriam sido motivados pela recusa no pagamento de extorsões mensais de até R$ 4 mil. A Polícia Civil investiga a ação, enquanto a segurança foi reforçada. A suspeita é de que o grupo tente expulsar os serviços regulares para impor redes clandestinas na região.
Duas lojas de provedores de internet foram vandalizadas e tiveram as fachadas pichadas com ameaças na madrugada desta sexta-feira, 16 de outubro, em Alcântaras, no interior do Ceará. Os criminosos deram um prazo de 24 horas para que as empresas deixassem a região, sob ameaça de incendiar os estabelecimentos.
Uma câmera de segurança registrou dois homens pichando uma das fachadas e danificando o portão com chutes. A mensagem deixada no imóvel dizia: "Vocês têm 24h para sair ou vamos queimar tudo". Também foram registradas siglas associadas ao Comando Vermelho.
Os estabelecimentos atingidos pertencem às empresas Online Telecom e Fox Net. A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), apura o caso.
Empresários denunciam cobrança de taxas
Profissionais do setor afirmam que criminosos exigem até R$ 4 mil por mês para permitir o funcionamento de provedores no município. A suspeita dos empresários é que os ataques tenham ocorrido após a recusa dos responsáveis pelas empresas em pagar os valores.
As vítimas também relatam impedimentos ao trabalho de alguns provedores na cidade. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, entretanto, não confirmou a relação entre os ataques desta sexta-feira e as cobranças denunciadas.
A pasta informou que o policiamento foi reforçado na região e que as circunstâncias das ameaças e dos danos estão sob investigação.
Polícia apura atuação de grupos criminosos
Segundo fontes ouvidas pelo Metrópoles, a cobrança funciona como uma forma de extorsão para autorizar a permanência das empresas. Essas fontes também relatam que, em áreas onde provedores são expulsos, grupos criminosos passam a explorar redes clandestinas e cobrar dos moradores pelo serviço. Essa dinâmica ainda precisa ser esclarecida no caso de Alcântaras.
Outras investigações no Ceará já identificaram ataques ao setor ligados à atuação de provedores clandestinos. Em junho de 2025, uma fase da Operação Strike resultou na prisão de 19 homens e no bloqueio de 21 contas bancárias, que somavam R$ 5,25 milhões.
Na ocasião, a Polícia Civil informou que parte dos investigados executava ataques por ordem de proprietários de empresas clandestinas. Os alvos eram investigados por crimes como organização criminosa, extorsão, dano e interrupção de serviço essencial.
Informações que possam ajudar a polícia podem ser encaminhadas ao Disque-Denúncia 181 ou pelo site oficial do serviço no Ceará. O sigilo e o anonimato são garantidos.