Petrobras decide neutralizar efeitos de preço de leilão de gás de cozinha após pedido de Lula

9 abr 2026 - 16h51

A Petrobras decidiu ‌neutralizar efeitos de preço decorrentes do leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, realizado pela companhia em 31 de março, informou a companhia nesta quinta-feira.

O anúncio ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter afirmado em uma entrevista que iria cancelar o certame, dois ⁠dias após sua realização, pontuando que houve um ágio de 100% no preço ‌do produto vendido pela estatal na concorrência e que a população não teria condições de arcar com esse custo.

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A Petrobras tem realizado leilões de ‌gás de cozinha a distribuidores para completar a ‌oferta no mercado, enquanto os contratos tradicionais não sofrem reajustes desde ⁠o fim de 2024. O certame ao final de março seguiu esta lógica, mas os resultados desagradaram o governo diante da disparada dos preços pelo efeito da guerra no Irã, que elevou os custos de derivados de petróleo.

Após a declaração de Lula, o conselho de administração da Petrobras, que tem maioria ‌do governo, aprovou na segunda-feira passada o encerramento antecipado do mandato do diretor-executivo ‌de Logística, Comercialização e ⁠Mercados, Claudio Schlosser.

A ⁠petroleira disse ainda, nesta quinta-feira, que a decisão é sustentada por análises econômicas e de ⁠risco e leva em conta a ‌excepcionalidade do contexto mercadológico atual, ‌decorrente do conflito no Oriente Médio. 

"Considera também as manifestações de órgãos de controle e regulatórios, tais como ANP e Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon)", disse a empresa.

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No mesmo dia da declaração de Lula, a reguladora ANP ⁠anunciou que havia iniciado uma ação de fiscalização que visava coletar informações associadas aos leilões de GLP realizados em 31 de março, "por suspeitas" de prática de preços com ágios elevados, possivelmente acima dos Preços de Paridade de Importação (PPI).

A Petrobras explicou que devolverá aos ‌clientes os valores referentes à diferença entre o PPI divulgado pela ANP para o período de 23 a 27 de março e os lances arrematados ⁠pelos distribuidores participantes do certame.

A petroleira, entretanto, não detalhou como a decisão seria operacionalizada, uma vez que os preços do leilão e dos produtos entregues às distribuidoras já foram repassados para outros elos da cadeia.

Adicionalmente, a Petrobras também afirmou que está conduzindo análise sobre sua adesão formal ao programa de subvenção governamental ao GLP importado, anunciado nesta semana.

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"Caso seja confirmada a adesão da companhia e observado que os volumes arrematados no leilão estão alcançados pelo programa, a Petrobras irá também devolver aos clientes os valores suportados pela subvenção", afirmou a companhia.

A companhia disse também que garante a entrega da totalidade dos volumes contratados no leilão, mantendo a previsibilidade e a segurança do abastecimento nacional.

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