Paciente com câncer morre após ser operada por engano em hospital de Campinas

22 jul 2026 - 22h50
(atualizado às 23h04)
Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, morreu após ser operada por engano
Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, morreu após ser operada por engano
Foto: Reprodução/TV Globo

Um erro de identificação dentro do Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP), terminou em uma investigação interna e levantou questionamentos sobre a segurança dos protocolos adotados pela instituição. A paciente Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, foi submetida a uma cirurgia destinada a outra pessoa enquanto estava internada para tratar uma obstrução intestinal causada pela volta de um câncer de cólon. Três dias depois, seu quadro piorou e ela morreu.

O próprio hospital reconheceu que houve uma falha durante o encaminhamento ao centro cirúrgico. Em nota, informou que instaurou uma sindicância para apurar o ocorrido, adotou medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos e afirmou que uma avaliação técnica concluiu que o procedimento realizado não alterou o prognóstico da paciente.

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A família, porém, discorda dessa avaliação e afirma que o estado de saúde da idosa se agravou logo após a cirurgia. Em entrevista à TV Globo, a dentista Camila Dias Barozzi, neta de Jandira, disse que a expectativa era de que a paciente fosse submetida a um novo tratamento semelhante ao realizado cerca de 12 anos antes, quando venceu um câncer de intestino.

"A oncologista falou para a gente que não tinha metástase e que seria igual da última vez. Ela faria quimioterapia e teria uma vida normal", contou. 

Documentos do prontuário médico obtidos pela EPTV mostram que Jandira foi submetida, na noite de 8 de junho, a uma gastrostomia endoscópica, procedimento utilizado para inserir uma sonda diretamente no estômago.

A cirurgia começou às 18h45 e terminou por volta das 19h20. Somente depois da operação, durante a troca de plantão da equipe de enfermagem, os profissionais perceberam que a paciente que deveria passar pelo procedimento continuava internada no quarto aguardando atendimento. Ao conferirem a pulseira de identificação, constataram que a cirurgia havia sido realizada na pessoa errada.

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Família foi chamada pela direção do hospital

Após a descoberta do erro, familiares foram convocados para uma reunião com integrantes da direção da unidade.

"A gente achou até que ela tinha morrido. Quando chegamos, o diretor clínico explicou que minha avó havia sido levada ao centro cirúrgico e operada no lugar de outra paciente. Ele disse que nunca tinha vivido uma situação como essa", relatou Camila.

Ainda segundo a família, o hospital afirmou que a intervenção poderia trazer benefícios por aliviar a obstrução intestinal, permitindo a drenagem de líquidos acumulados. Os parentes, no entanto, dizem que a evolução clínica mostrou justamente o contrário.

"No dia seguinte ela voltou a eliminar um líquido com aspecto de fezes, começou a vomitar e nada daquilo que disseram que seria benéfico aconteceu", afirmou a neta.

A paciente passou a apresentar sinais de agravamento logo após a cirurgia. "Ela começou a ter taquicardia e sinais de sepse. Foi a partir daí que o quadro dela piorou muito."

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Os registros médicos apontam que, na manhã seguinte ao procedimento, Jandira apresentou queda da pressão arterial, alteração da saturação de oxigênio, confusão mental e mudanças no ritmo cardíaco. Diante da piora, foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), enquanto a equipe médica investigava hipóteses como sepse e tromboembolismo pulmonar.

Com a evolução do quadro, médicos e familiares decidiram priorizar cuidados paliativos e Jandira morreu na noite de 11 de junho.

Segundo a reportagem da TV Globo, o hospital disse ainda que desde a identificação do ocorrido, abriu uma investigação interna para identificar as circunstâncias da ocorrência e revisar os protocolos de segurança adotados pela instituição. O caso já foi encaminhado aos conselhos profissionais competentes e foram adotadas medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos, incluindo desligamentos.

A família de Jandira pretende acionar a Justiça.  

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