Número de pessoas LGBT+ eleitas no Brasil quase dobra em 2026

Candidaturas receberam mais de 10 milhões de votos para legislativos

5 out 2026 - 18h37
(atualizado às 19h02)
Resumo
As eleições de 2026 registraram um recorde na representação LGBT+ no Brasil, com 35 parlamentares eleitos por partidos de esquerda — salto frente aos 18 de 2022. Com mais de 10 milhões de votos somados, a bancada na Câmara triplicou, destacando-se Erika Hilton como a mulher mais votada da história. O grupo é composto majoritariamente por mulheres (77,1%) e pessoas negras (62,9%). O avanço ocorreu apesar da forte violência política, relatada por 94% dos candidatos consultados pelo IPC.

Se é verdade que as eleições de 2026 tiveram um avanço inédito da extrema direita no Congresso Nacional, também é fato que o número de pessoas LGBT+ eleitas para cargos legislativos praticamente dobrou, passando de 18 para 35 em quatro anos.

Candidaturas receberam mais de 10 milhões de votos para legislativos
Candidaturas receberam mais de 10 milhões de votos para legislativos
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Segundo levantamento do Instituto Plena Cidadania (IPC), essas candidaturas receberam 10,7 milhões de votos. Na Câmara, a representação LGBT+ mais que triplicou, aumentando de quatro para 13 parlamentares, com destaque para Erika Hilton (Psol-SP), transexual que angariou quase 1,6 milhão de votos e se tornou a deputada mulher mais votada da história.

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Já o Senado conseguiu manter uma representante da comunidade, enquanto 21 pessoas se elegeram para legislativos estaduais e do Distrito Federal.

De acordo com o IPC, o avanço também foi marcado pela diversidade de perfis. Das 35 pessoas LGBT+ eleitas, 27 são mulheres (77,1%), e 22 são negras (62,9%). Sete mulheres trans e travestis também conquistaram cadeiras.

Todas as 35 pessoas LGBT+ eleitas concorreram por partidos de esquerda (PT e PSOL reúnem 31 das cadeiras, com 17 e 14, respectivamente, seguidos pelo PCdoB, com três, e pelo PV, com uma).

No entanto, o relatório também apontou que, em um universo de 187 candidaturas consultadas, 94% relataram ter sofrido algum episódio de violência política durante a disputa eleitoral, e 81,8% citaram episódios considerados graves.

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"Os resultados dessas eleições mostram que a violência não foi capaz de impedir o avanço da representação LGBT+ na política brasileira. Pelo contrário: temos mais pessoas LGBT+ eleitas, mais diversidade nos espaços de poder e milhões de brasileiros e brasileiras dizendo, pelo voto, que querem essa presença na democracia. Isso é uma conquista que precisa ser celebrada", afirma Gui Mohallem, da direção executiva do Instituto Plena Cidadania. .

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