As eleições de 2026 registraram um recorde na representação LGBT+ no Brasil, com 35 parlamentares eleitos por partidos de esquerda — salto frente aos 18 de 2022. Com mais de 10 milhões de votos somados, a bancada na Câmara triplicou, destacando-se Erika Hilton como a mulher mais votada da história. O grupo é composto majoritariamente por mulheres (77,1%) e pessoas negras (62,9%). O avanço ocorreu apesar da forte violência política, relatada por 94% dos candidatos consultados pelo IPC.
Se é verdade que as eleições de 2026 tiveram um avanço inédito da extrema direita no Congresso Nacional, também é fato que o número de pessoas LGBT+ eleitas para cargos legislativos praticamente dobrou, passando de 18 para 35 em quatro anos.
Segundo levantamento do Instituto Plena Cidadania (IPC), essas candidaturas receberam 10,7 milhões de votos. Na Câmara, a representação LGBT+ mais que triplicou, aumentando de quatro para 13 parlamentares, com destaque para Erika Hilton (Psol-SP), transexual que angariou quase 1,6 milhão de votos e se tornou a deputada mulher mais votada da história.
Já o Senado conseguiu manter uma representante da comunidade, enquanto 21 pessoas se elegeram para legislativos estaduais e do Distrito Federal.
De acordo com o IPC, o avanço também foi marcado pela diversidade de perfis. Das 35 pessoas LGBT+ eleitas, 27 são mulheres (77,1%), e 22 são negras (62,9%). Sete mulheres trans e travestis também conquistaram cadeiras.
Todas as 35 pessoas LGBT+ eleitas concorreram por partidos de esquerda (PT e PSOL reúnem 31 das cadeiras, com 17 e 14, respectivamente, seguidos pelo PCdoB, com três, e pelo PV, com uma).
No entanto, o relatório também apontou que, em um universo de 187 candidaturas consultadas, 94% relataram ter sofrido algum episódio de violência política durante a disputa eleitoral, e 81,8% citaram episódios considerados graves.
"Os resultados dessas eleições mostram que a violência não foi capaz de impedir o avanço da representação LGBT+ na política brasileira. Pelo contrário: temos mais pessoas LGBT+ eleitas, mais diversidade nos espaços de poder e milhões de brasileiros e brasileiras dizendo, pelo voto, que querem essa presença na democracia. Isso é uma conquista que precisa ser celebrada", afirma Gui Mohallem, da direção executiva do Instituto Plena Cidadania. .