Lula tenta destravar no Senado pauta estratégica antes das eleições

A menos de dois meses das eleições no Brasil, o presidente Lula tenta acelerar no Congresso a votação de projetos considerados estratégicos para o mandato e também para a campanha à reeleição. Entre as prioridades está a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. Depois de retomar o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, Lula espera destravar a pauta durante as duas semanas de esforço concentrado do Legislativo antes do pleito.

10 ago 2026 - 07h08

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Brasília

Deputados discutem no plenário da Câmara, em Brasília, durante tramitação de projetos de lei.
Deputados discutem no plenário da Câmara, em Brasília, durante tramitação de projetos de lei.
Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil / RFI

Após um primeiro encontro desde o rompimento entre o petista e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), existe a expectativa de que o texto seja finalmente apreciado em uma das duas janelas de votação. Se não for nesta que se inicia, a ideia é que seja na segunda semana, de 31 de agosto a 3 de setembro, quando a Casa deve analisar temas de grande repercussão.

Publicidade

Lula e Alcolumbre se encontraram em um jantar na semana passada, depois de quase três meses sem se falar. Existe a possibilidade de que se reúnam novamente nesta segunda-feira (10), em Brasília, justamente para discutir a pauta.

Em função das eleições, o Congresso resolveu manter essas duas semanas de esforço concentrado. É assim que são chamadas essas duas janelas de votação, já que, em período de campanha eleitoral, Câmara e Senado não costumam ter muito quórum porque os parlamentares voltam às suas bases.

A expectativa do governo é que a PEC da escala 6x1 entre finalmente na pauta. Neste domingo, Dia dos Pais, Lula publicou em sua conta no X que o maior presente que eles podem receber é ter mais tempo para passar com os filhos.

Minerais cítricos e estratégicos em pauta

Mas há outros temas de grande impacto econômico na pauta. O PL 2.780/2024, que cria uma política nacional para minerais críticos e estratégicos e um conselho voltado à industrialização desses recursos, é um deles. O projeto é considerado fundamental porque tem por objetivo principal incentivar a pesquisa, atrair investimentos e garantir que o país não seja apenas um exportador de matéria-prima, promovendo o beneficiamento interno de insumos como lítio, níquel, nióbio e terras raras.

Publicidade

Este tema, em especial, tem forte componente geopolítico em um momento em que se tornou motivo de disputa internacional. Os EUA tentaram, nas negociações bilaterais com o Brasil - paralisadas desde o mais recente tarifaço -, garantir exclusividade de fornecimento, assim como têm tentado com outros países.

A PEC da Segurança Pública também tem relevância, já que trata de um assunto que deve ocupar espaço importante na campanha e que preocupa o eleitorado. Mas há ainda a autonomia financeira do Banco Central, o novo teto do MEI (Microempreendedor Individual) e o Marco Legal da Inteligência Artificial.

Agenda extensa

Serão duas janelas curtas para a votação e uma agenda extensa. O encontro entre Lula e Alcolumbre quebra o gelo e abre caminho para avanços no Senado, onde está boa parte das pautas mais polêmicas. A relação entre os dois foi rompida após a rejeição, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma cadeira do STF (Supremo Tribunal Federal).

Agora, o governo recebeu sinais de que essas pautas podem avançar. Lula espera que o gesto feito a Alcolumbre ajude. Há ainda a PEC que substitui a contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha por uma alíquota de até 1,4% sobre a receita bruta, com o objetivo de reduzir os custos de contratação formal, combater a informalidade e estruturar uma desoneração ampla.

Publicidade

Além das propostas mais polêmicas, o Congresso terá de votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, administrar 32 medidas provisórias em tramitação e negociar dezenas de vetos presidenciais que paralisam a pauta das sessões conjuntas. A boa notícia é que parte da agenda do plenário para terça e quarta-feira, no Senado, segue em aberto. Ou seja, o espaço existe.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações