O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou um recado ao governo de seu homólogo nos Estados Unidos, Donald Trump: "Ninguém nos derrotará com mentiras", disse ele em artigo publicado neste domingo (26) no jornal The Washington Post.
O texto chega em meio a uma crise diplomática entre os dois países, agravada com a aplicação de tarifas por parte dos EUA sobre produtos brasileiros e diante das ameaças de Washington em interferir nas eleições presidenciais de 4 de outubro.
"O destino do Brasil cabe exclusivamente aos brasileiros determinar ? sem interferência estrangeira ou subserviência", escreveu o petista no artigo, publicado após o Itamaraty ter negado o visto a dois funcionários do Departamento de Estado americano, Riley M. Barnes e Samuel Samson.
O Ministério das Relações Exteriores justificou a recusa citando a natureza "incomum" da missão, enquanto figuras dos meios político e jurídico a descreveram como uma "possível tentativa de interferência externa no processo eleitoral".
Os EUA negaram que a missão de seus diplomatas em Brasília, programada de 27 a 30 de julho, tivesse como objetivo interferir no pleito presidencial de outubro.
Em relação ao tarifaço de Trump, Lula apontou que a medida aplicada no ano passado tinha "caráter político explícito", ao fazer referência ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Sobre as recentes tarifas impostas neste mês de julho, que variam de 12,5% a 37,5%, o petista acusou Washington de ter "ignorado dezenas de reuniões entre nossas equipes, argumentos técnicos sólidos e documentos que entreguei pessoalmente ao presidente Trump".
Segundo Lula, as taxas irão "prejudicar empresas e consumidores americanos ao desestruturar cadeias de suprimentos que dependem do Brasil, enquanto o país irá buscar substituir os EUA por novos parceiros".
O chefe de Estado também rebateu argumentos utilizados pelos EUA para justificarem as novas tarifas.
"Nosso sistema de pagamentos, o Pix, não discrimina empresas dos EUA e é uma referência internacional em infraestrutura pública digital", reforçou Lula.
"Tentativas de impor restrições ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não prosperarão. Nunca antes um secretário de Estado dos EUA declarou que o Brasil não é amigo dos Estados Unidos", acrescentou o presidente brasileiro, frisando: "Ninguém nos derrotará com mentiras".
Ao final, Lula destacou que respeita a soberania dos países que está aberto para negociar "com todos aqueles que sabem respeitar a nossa".