O presidente Lula encerrou a campanha do primeiro turno em São Paulo com uma caminhada na rua Augusta, reunindo 150 mil pessoas segundo a organização. Ele classificou o pleito como um embate entre democracia e barbárie. Diante do avanço nas pesquisas, como a CNT/MDA que apontou 47,8% contra 42,1% de Flávio Bolsonaro, a campanha petista mantém o otimismo por uma vitória já no domingo, embora veja riscos na abstenção e na concentração de votos da direita no senador adversário.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou neste sábado o primeiro turno de sua campanha à reeleição, em São Paulo, com uma caminhada que lotou a rua Augusta, na região central da capital, e defendeu que as eleições de domingo são uma disputa entre "a democracia e a barbárie."
"De um lado está a democracia... e do outro lado está a barbárie e a corrupção", disse o presidente em uma das suas falas ao longo da caminhada, apesar de, no último dia antes da votação, discursos estarem proibidos.
A campanha petista comemorou uma mobilização recorde, maior do que o encerramento da campanha de 2022. Segundo os organizadores, Lula teria conseguido reunir 150 mil apoiadores que lotaram os dois quilômetros da rua Augusta entre a avenida Paulista e a praça Roosevelt.
"Tinha muita, muita gente mesmo. É difícil não imaginar que a gente não vai ganhar no primeiro turno... Mas, se não ganhar, o segundo está aí e tem tudo para a gente conseguir ser feliz de novo", disse Rômulo Lopes, um dos apoiadores do presidente presentes à caminhada.
Internamente, a coordenação da campanha de Lula aumentou o otimismo nos últimos dias. Além das pesquisas terem mostrado algum avanço do presidente, o tracking interno, que mede as intenções de voto diariamente, também vem mostrando Lula abrindo alguns pontos em relação ao seu principal oponente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), a ponto de a campanha passar a acreditar que existe alguma chance de uma vitória no primeiro turno.
Pesquisa CNT/MDA, divulgada na manhã deste sábado, mostrou Lula com 47,8% dos votos válidos no primeiro turno, contra 42,1% de Flávio. Para vencer já em primeiro turno é necessário que um candidato supere a marca de 50% dos votos válidos, quando são descartados os brancos e nulos.
"Amanhã nós vamos ganhar a eleição no primeiro turno e vamos para a (Avenida) Paulista, porque a Paulista é do povo", disse Lula.
A prefeitura de São Paulo, governada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), aliado de Flávio, não autorizou o uso da avenida no domingo, depois das eleições.
"Ao contrário dos outros países da América Latina, onde a gente viu uma onda de direita no final, aqui no Brasil nós estamos vendo uma onda a nosso favor", disse o presidente do PT, Edinho Silva.
A campanha reconhece, no entanto, que há uma migração de votos de outros candidatos de direita para Flávio Bolsonaro na reta final da campanha, o que é um risco, além da abstenção, que costuma ser maior na população de baixa renda, um grupo que tradicionalmente vota mais em Lula.
O presidente vota neste domingo de manhã em uma escola em São Bernardo do Campo, onde sempre manteve seu título, e assiste a apuração em casa. No final da tarde, encontra sua equipe em um hotel na zona central de São Paulo, onde dará uma declaração quando sair o resultado.