O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que proibiu a vinda ao Brasil do assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos Darren Beattie, um dos expoentes da extrema-direita norte-americana, que pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.
Após a declaração de Lula, feita durante discurso ao participar de evento no Rio de Janeiro, uma fonte ligada à política externa do governo brasileiro disse à Reuters que o visto de entrada de Beattie no Brasil será revogado.
Lula disse que a proibição da entrada do representante do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, valerá até que os EUA desbloqueiem o visto de entrada nos Estados Unidos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e da família dele.
"Aquele cara americano que disse que vinha para cá visitar o Jair Bolsonaro foi proibido de visitar, e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde que está bloqueado", disse Lula, ao lado de Padilha, ao participar da inauguração de uma ala hospitalar.
Segundo a fonte diplomática ouvida pela Reuters, a decisão de revogar o visto de Beattie ocorreu porque o funcionário do governo norte-americano teria mentido e omitido informações ao pedir o visto de entrada no Brasil. Nesses casos, disse a fonte, a revogação do visto é uma obrigação legal tanto no Brasil como nos EUA.
Beattie baseou seu pedido de visto alegando que iria ter encontros oficiais com autoridades brasileiras, mas o governo norte-americano só pediu encontros com o governo brasileiro no dia 11 de março, depois de Moraes questioná-lo sobre sua agenda completa no país.
O assessor chegaria ao Brasil no início da próxima semana e pretendia visitar o ex-presidente Bolsonaro na prisão, mas o pedido para se reunir com o ex-mandatário foi rejeitado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, na quinta-feira.
O assessor do governo Trump também tinha em sua agenda reuniões com representantes da oposição brasileira, entre eles o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente, e também participaria em São Paulo de um evento sobre minerais críticos promovido pela embaixada dos EUA no Brasil.
Em agosto do ano passado, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, revogou o visto de Padilha, de sua esposa e de sua filha menor de idade, entre outros, alegando cumplicidade com o trabalho forçado do governo cubano por meio do programa Mais Médicos do Brasil.
Beattie foi nomeado há duas semanas para um cargo graduado do Departamento de Estado norte-americano encarregado de supervisionar assuntos relacionados ao Brasil, conforme revelou a Reuters. Ele é bastante próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, também filho do ex-presidente, e do ativista de extrema-direita Paulo Figueiredo, sendo o principal contato de ambos dentro do governo dos EUA.
Uma outra fonte disse anteriormente à Reuters que as informações que haviam chegado ao governo brasileiro era de que a agenda de Beattie se concentraria em encontros com a extrema-direita, e não haveria interesse em reuniões com o governo brasileiro.
A revogação do visto ocorre em um momento em que o Brasil vê uma melhoria na relação com os EUA pela abertura de diálogo entre Lula e Trump, ao mesmo tempo em que a agenda de Beattie no país incomodou o governo brasileiro.
O Brasil considera que há grupos divergentes dentro do governo Trump que, mesmo com a aproximação entre os dois presidentes, trabalham para minar as negociações entre os países, de olho nas eleições presidenciais deste ano no Brasil.