O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que mandará novamente ao Senado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após a rejeição do nome na Casa no final de abril em uma derrota histórica para o governo.
"Eu perdi a indicação do meu ministro da Suprema Corte. Eu fiquei triste, porque ele não foi derrotado por incompetência jurídica, é um dos melhores advogados deste país", disse.
"Ele não foi derrotado porque tem uma ficha suja na vida dele, é um dos mais íntegros deste país. Ele foi derrotado por uma questão simplesmente política. E o que vai acontecer, senadores? Eu vou mandar o Messias outra vez", emendou, em discurso em cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras no Sergipe.
Na derrota de abril, Messias recebeu 34 votos favoráveis, sete a menos do que os 41 necessários para a aprovação de sua indicação. Ele recebeu 42 votos contrários, mais da metade dos 77 senadores que participaram da apreciação -- houve uma abstenção.
Foi a primeira vez, desde 1894, que os senadores rejeitaram uma indicação do presidente da República ao STF.
A rejeição do indicado por Lula mostrou a força do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que inicialmente preferia o colega Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a cadeira no Supremo e articulou pessoalmente nos bastidores a derrubada de Messias.
Desde a recusa de Messias, Lula e Alcolumbre não restabeleceram a boa relação que tiveram até então, a despeito da tentativa de interlocutores de parte a parte para que isso ocorra.