Em pronunciamento, Lula defendeu eleições pacíficas diante de recentes episódios de violência política e criticou o adversário Flávio Bolsonaro, acusando-o de subserviência aos Estados Unidos e questionando seu patrimônio financeiro. O candidato petista celebrou o engajamento popular em sua campanha e ressaltou a escolha entre a educação e o armamento, em um cenário de empate técnico nas pesquisas eleitorais às vésperas da apuração oficial.
Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a São Paulo
"A coisa mais sagrada na democracia é a convivência democrática na diversidade. Os vizinhos não precisam torcer pro mesmo time, mas não precisa brigar. Os vizinhos não precisam ter o mesmo candidato, mas também não precisa obrigar", comentou Lula. "Se cada um aprender a respeitar o direito dos outros, a fé dos outros, o time dos outros, o partido dos outros, a gente exerce a democracia na sua plenitude."
Em Montes Claros, a vereadora petista Iara Pimentel (PT) foi atingida no rosto por um tijolo durante uma carreata de apoio a Lula, no sábado (24). Outros participantes foram alvo de garrafas de vidro e pedras.
Em Porto Alegre, duas mulheres foram ameaçadas por um vizinho armado por terem colocado uma bandeira do PT na janela do próprio apartamento, entre outros relatos que começam a aparecer nas redes sociais. Lula afirmou que "o outro lado está impondo a violência à nação brasileira".
"Nós temos que fazer uma opção: se a gente quer um Brasil que distribua milhões de livros didáticos nas escolas, ou a gente quer um Brasil que distribua a possibilidade de comprar 1 milhão de armas. Se a gente quer um Brasil que distribua livro para as crianças, ou um país em que se vende 1,1 bilhão de balas", declarou.
'Nada igual' em 50 anos
O presidente celebrou a realização de manifestações em favor da sua reeleição por todo o país, e disse que "nunca tinha visto" nada igual em 50 anos de vida política. "Não foi partido político. Não foi sindicato. Não foi igreja. Não foi eu nem o Alckmin. Ou seja, o povo foi para a rua para defender as suas conquistas", salientou.
As últimas pesquisas de intenções de voto divulgadas no sábado (24) confirmam o empate técnico entre os dois candidatos, com pequena vantagem numérica, de 1% a 2%, para Flávio. Analistas ressaltam que as mobilizações em massa dos eleitores petistas e bolsonaristas nos últimos dias, nas ruas como pelas redes digitais, podem ter um impacto ainda não detectado pelos institutos de pesquisa.
Bandeira americana e críticas a Flávio
No pronunciamento em São Bernardo, o candidato do PT também acusou o adversário de ameaçar a soberania do país. Apontando para a bandeira nacional colocada no púlpito no qual discursava, Lula disse que "está em jogo, se a gente vai escolher um país em que a bandeira é respeitada, essa bandeira aqui, porque do lado de lá eles fazem campanha com essa, mas querem governar com a bandeira americana".
A família Bolsonaro costuma demonstrar proximidade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sinaliza interesse nos recursos minerais do Brasil, importantes para o setor de tecnologia. "Aqui, a gente faz com essa e governa com essa. Ganha e perde com essa. A gente não tem duas pátrias. É uma pátria só", complementou Lula.
O petista destacou ainda as suas boas relações com presidentes de diversos países e a biografia marcada por momentos relevantes no cenário internacional, como a presença nas reuniões do G7, formado por economias desenvolvidas, e a criação do grupo de potências emergentes Brics.
Suspeitas sobre enriquecimento de Flávio
"Eu nunca imaginei disputar uma eleição com uma pessoa desqualificada moralmente, eticamente. Nunca imaginei disputar eleição com miliciano que não faz o menor esforço para contar uma verdade", comentou o candidato.
"Todo mundo sabe a relação dele com o Vorcaro. Todo mundo sabe a relação dele com o policial que matou uma menina de cinco anos. Todo mundo sabe a relação dele com as pessoas que foram responsáveis pela morte da Marielle, que ele empregou no escritório dele", mencionou, antes de questionar a compra de um apartamento de R$ 10 milhões pelo candidato do PL.
"Onde é que ele arruma o dinheiro?", observou. "Se vocês verem deputado rico, vereador rico, senador rico, governador rico, presidente rico, ou ele é rico antes de ser, ou não dá para ser com salário. Se o cara fica rico com salário, ele roubou."
Durante o restante do dia, Lula ficará em seu apartamento em São Paulo com a primeira-dama, Janja da Silva, e no fim da tarde se reunirá com apoiadores em um hotel da cidade para acompanhar a apuração dos votos. Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a participar da eleição.