O ministro Luiz Fux (STF) determinou a remoção de posts que ligavam o candidato Flávio Bolsonaro a um suposto plano para retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, revertendo decisão de Flávio Dino. Fux argumentou que a palavra final cabe ao TSE, e o plenário do STF deve analisar o caso. Em meio à disputa pelo eleitorado religioso, Lula defendeu a santa em comício, enquanto Flávio repudiou o boato em atos com símbolos católicos, comparando o ataque à facada de 2018.
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de publicações relacionando o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) a um suposto plano de setores evangélicos para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, assunto que virou motivo de dor de cabeça para o senador na reta final da corrida eleitoral.
A decisão de Fux atende a um pedido da campanha de Flávio e reverte uma ordem anterior imposta pelo colega Flávio Dino, que havia suspendido uma determinação de André Mendonça, ministro do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para derrubar publicações relacionando Flávio ao suposto projeto contra a santa mais popular entre os brasileiro.
Mendonça, assim como o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é evangélico, principal bastião eleitoral do bolsonarismo e historicamente refratário ao culto dos católicos à Virgem Maria.
Segundo Fux, a última palavra sobre temas eleitorais cabe ao TSE. A expectativa é de que o presidente do Supremo, Edson Fachin, leve o tema para análise do plenário nesta quarta-feira (30), em mais um capítulo das divisões que racharam a mais alta corte do Brasil, chacoalhada pelas relações suspeitas entre Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, e ministros do tribunal.
Enquanto isso, o tema religioso segue mobilizando as campanhas. Em comício na última segunda-feira (28) em Belém, palco do Círio de Nazaré, maior procissão mariana do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que "ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida" e cobrou "respeito" a todas as religiões.
Flávio, por sua vez, participou de um podcast católico e comparou a "fake news" sobre a padroeira do Brasil com a facada sofrida por Bolsonaro em 2018. Mais cedo, em uma caminhada em São Paulo, ele já havia erguido uma imagem de crochê de Nossa Senhora Aparecida.