Os advogados de Jair Bolsonaro apresentaram um pedido nesta terça-feira para que o ex-presidente possa receber Darren Beattie, assessor especial para o Brasil do Departamento de Estado dos Estados Unidos, no Complexo Penitenciário da Papuda, onde está preso, fora dos horários pré-estabelecidos para visitas.
Endereçado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da execução penal envolvendo o ex-presidente, o pedido solicita a autorização excepcional para que Beattie possa visitar Bolsonaro na segunda ou na terça-feira da próxima semana, quando fará sua primeira visita ao país desde que foi nomeado para o cargo, há duas semanas.
"O visitante cumprirá agenda oficial no Brasil e estará em Brasília por curto período, circunstância que acaba por inviabilizar a realização da visita nas datas ordinárias atualmente previstas para visitação (quartas-feiras e sábados)", diz o pedido dos advogados do ex-presidente.
O pedido da defesa de Bolsonaro confirma que a agenda de Beattie, figura da extrema-direita norte-americana, deve centrar sua viagem em encontros com a oposição e figuras do bolsonarismo, apesar de ser um representante oficial do governo norte-americano. Próximo ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro e ao ativista de direita Paulo Figueiredo, Beattie não comunicou sua viagem ao governo brasileiro.
A visita, em um momento em que o Brasil vê uma melhoria na relação com os EUA pela abertura de diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, incomodou o governo brasileiro -- especialmente o pedido de encontro com Jair Bolsonaro -- e é vista como uma intromissão indevida nos assuntos internos do país, disseram fontes ouvidas pela Reuters.
Ainda não há uma decisão sobre uma eventual reação à visita e ao pedido de Beattie, disse uma das fontes, mas isso deve ser conversado entre o presidente e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A avaliação dentro do governo brasileiro é que há grupos divergentes dentro do governo norte-americano que, mesmo com a aproximação de Trump e Lula, trabalham para minar as negociações entre os dois governos, de olho nas eleições deste ano.
Em agosto, Beattie -- demitido de seu cargo como redator de discursos da Casa Branca em 2018 por participar de um evento frequentado por nacionalistas brancos -- provocou um incidente diplomático ao descrever, em uma postagem no X, Moraes como "o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição dirigido contra Bolsonaro". Depois da aproximação dos dois presidentes, Beattie deixou de publicar ataques contra o Brasil.
Desde janeiro deste ano, Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados em uma sala de Estado-Maior do Batalhão da Polícia Militar no Complexo Penitenciário da Papuda.