O deputado federal André Janones destacou-se na vitória eleitoral de Lula contra Flávio Bolsonaro ao liderar o canal de WhatsApp "Exército do Lula", que reuniu quase 11 milhões de seguidores. Com um estilo direto e combativo, Janones mobilizou a militância na reta final da disputa, organizou ações digitais para a virada no segundo turno e enfrentou batalhas judiciais no TSE contra a oposição, sendo peça fundamental na recuperação da presença e engajamento do PT nas redes sociais.
O deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal de WhatsApp "Exército do Lula", que alcançou quase 11 milhões de seguidores, ganhou destaque na mobilização digital em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que cumprirá seu quarto mandato após derrotar Flávio Bolsonaro (PL).
Natural de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, André Luís Gaspar Janones foi reeleito deputado federal por Minas Gerais nas eleições de 2026, com quase 79 mil votos. Em outubro, ele criou o popular canal com o objetivo de mobilizar apoiadores e ampliar a divulgação de conteúdos favoráveis à candidatura do petista.
Conhecido entre os integrantes do canal como "General do Lula", o parlamentar adotou uma comunicação direta com os participantes para divulgar pautas, organizar ações digitais e incentivar a militância. A iniciativa, que conta com humor, gritos, desafios e apelos, ganhou relevância na reta final da campanha petista, em um ambiente digital no qual grupos ligados à direita já tinham forte presença.
O "Exército do Lula" cresceu rapidamente após o primeiro turno da eleição presidencial, quando Flávio terminou à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista.
À frente da mobilização digital, Janones convocou apoiadores para uma espécie de "guerra" em busca da virada eleitoral. A atuação do canal também provocou disputas judiciais com a "Tropa do Flávio", chefiada pelos deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e Nikolas Ferreira (PL-MG).
Na sexta-feira (23), o ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu que o canal não poderia voltar a ser suspenso ou sofrer novas restrições pela Corte nos termos questionados. No dia anterior, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, havia determinado uma análise detalhada das publicações, após solicitação da campanha de Flávio Bolsonaro.
Na chamada "última missão" do canal, Janones pediu que os apoiadores de Lula comparecessem às urnas e incentivassem outras pessoas a votar. No segundo turno, a taxa de abstenção ficou em aproximadamente 19%, abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno, segundo dados eleitorais.
A mobilização digital ocorreu paralelamente a grandes atos de campanha, incluindo uma manifestação em São Paulo na véspera da votação. A disputa presidencial foi marcada tanto pela presença de apoiadores nas ruas quanto pela intensa circulação de conteúdos e estratégias de mobilização nas redes sociais.
Embora tenha sido escanteado durante anos pelo PT por conta de seu estilo histriônico, Janones sempre apostou na vitória do petista e até já convocou manifestações para o próximo domingo (1º) para protestar contra uma tentativa de golpe, em referência às ações para impedir parte do eleitorado de ir às urnas.
A histórica virada de Lula não pode ser atribuída exclusivamente ao "Exército do Lula", mas as ações de Janones no grupo recuperaram a imagem do PT em ambiente digital e criaram uma grande comunidade de apoiadores que tiveram papel ativo na campanha.
"A gente se tornou uma família e tenho a convicção que o Exército Lula, ele é eterno", declarou o deputado. .