Após o ministro Cristiano Zanin prorrogar a votação até as 19h por problemas de transporte, Salvador e Brasília registraram cenários divergentes. Na capital baiana, alguns colégios reabriram os portões para eleitores, enquanto outros já haviam encerrado os trabalhos. Já em Brasília, locais visitados mantiveram os portões fechados desde as 17h e eleitores foram impedidos de votar. Zanin esclareceu que a extensão só valia para seções cujas urnas ainda não tinham sido finalizadas.
SALVADOR e BRASÍLIA — Locais de votação em Salvador chegaram a reabrir os portões neste domingo, 25, após o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogar o pleito até as 19h em todo o País. Em outros, porém, a votação nas urnas já havia sido encerrada, impedindo o recebimento de novos votos.
Zanin publicou um esclarecimento da decisão às 18h. No documento, explicou que a prorrogação só valia para as urnas que não haviam sido fechadas.
No Colégio Portinari, no Costa Azul, a fiscal Amanda Teixeira, da 53ª Zona Eleitoral, relatou ao Estadão/Broadcast que os portões foram fechados às 17h, mas a equipe recebeu orientação para aguardar a decisão oficial antes de encerrar a votação nas urnas.
"Reabrimos após 30 minutos da decisão do STF. Tínhamos informação sobre esperar a decisão, as urnas não foram desligadas, mas os portões foram fechados. Até então uma pessoa votou", afirmou.
Enquanto aguardava a reabertura, uma mulher foi abordada por integrantes de uma família identificada como eleitora de Flávio Bolsonaro (PL), que a aconselhavam a ir embora, conforme observou a reportagem.
No Colégio Manoel Devoto, no Rio Vermelho, o mesário Douglas Lauar também relatou orientação para aguardar. "Já tínhamos recebido orientação interna para aguardar a decisão", disse. Até a passagem da reportagem, apenas uma pessoa havia entrado para votar depois das 17h.
Outro mesário do local, Luiz Cardoso, afirmou que eleitores enfrentaram dificuldades para chegar. "Muita gente reclamou do transporte, muita gente veio de carona solidária", declarou.
Na seção 795 do Colégio Edvaldo Boaventura, no Stiep, assim como em outras seções observadas pela reportagem, a votação nas urnas foi encerrada pontualmente às 17h, com boletins emitidos e mesários liberados.
A decisão de Zanin estendeu a votação por duas horas após pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), motivado por dificuldades no transporte de eleitores. Procurado, o TRE da Bahia não respondeu até a publicação.
O Estadão também visitou o Centro de Ensino Fundamental (CEF) 03 de Brasília, na Asa Sul, a partir das 17h40. Nenhum eleitor entrou ou saiu da escola durante os 40 minutos em que a reportagem ficou no colégio, que manteve os portões fechados. Trata-se de um dos locais de votação mais próximos da sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Um servidor público, que preferiu não se identificar, afirmou que saiu direto do aeroporto para votar no CEF 03 e foi impedido, tampouco conseguiu registrar a presença em ata. O homem também disse que pediu para a Polícia Militar deslocar uma viatura até o colégio, sem êxito.
Uma mesária, que não quis conceder entrevista, disse que as urnas haviam sido fechadas às 17h, sem ter recebido orientação sobre a prorrogação da votação. A reportagem recebeu relatos semelhantes em outras duas escolas no Distrito Federal.
Pessoas acompanharam a situação no local. Em seguida, o Estadão foi ao Centro de Educação de Jovens e Adultos da Asa Sul (Cesas). O local, também próximo ao TSE, estava completamente vazio.