Vídeo mostra momento em que mulher em surto morre após ser baleada com tiro na cabeça por PM

Imagens mostram mulher com faca caminhando em direção a 3 policiais em Pirituba, zona norte; um deles atira à queima-roupa

16 out 2026 - 14h37
(atualizado às 15h30)
Resumo
Camila Pereira da Silva, de 32 anos, foi morta com um tiro na cabeça por um PM em Pirituba, São Paulo, após avançar com uma faca contra agentes durante um suposto surto. O soldado foi detido em flagrante, mas liberado na audiência de custódia; a defesa alega legítima defesa e cumprimento dos protocolos. O caso, sob apuração do DHPP e da Corregedoria, é a terceira morte de pessoa em surto por policiais militares no estado em menos de 15 dias, somando-se a outros dois episódios recentes.

Vídeo obtido pela reportagem do Estadão mostra o momento em que Camila Pereira da Silva, de 32 anos, é baleada por um policial militar na tarde de quinta-feira, 15, em Pirituba, zona norte de São Paulo. A mulher, que empunhava uma faca no momento da ação, supostamente estava em estado de surto e morreu após ser atingida. O soldado responsável foi preso após o caso, mas foi solto após passar por audiência de custódia.

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Em nota, o advogado Mauro Ribas, responsável pela defesa do PM André Coelho Maximo da Costa, disse que a prisão do soldado, que integra a Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam), se deu por "cunho político e eleitoreiro". A defesa argumenta que o ele cumpriu todos os procedimentos operacionais da Polícia Militar, acionou a COP (câmera corporal) desde o início da ocorrência e só efetuou o disparo quando não tinha mais possibilidade de recuar.

"Esta prisão gerou extrema comoção e instabilidade na tropa da Polícia Militar, que entendeu tal ato como um recado de desamparo por parte do governo do Estado e da corporação", disse ainda.

Nas imagens, Camila, aparentemente em surto, aparece segurando uma faca e caminhando em direção a um dos policiais. Os agentes - eram ao menos três, pelo que se vê no vídeo - gritam repetidamente "larga a faca!", mas a mulher continua avançando e responde: "não largo". A sequência se repete pelo menos oito vezes antes de um dos policiais atirar.

Em outro vídeo, registrado por uma câmera de segurança, uma mulher aparece apontando para o fim da rua no momento em que a abordagem policial começa. Ela supostamente estaria indicando à equipe que atendeu à ocorrência quem seria o alvo da ação.

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Essa é a terceira morte de pessoa em surto por policiais militares em menos de 15 dias.

Segundo apurado pela reportagem, o protocolo para situações como essas prevê que a PM priorize o diálogo e a preservação da vida. Entretanto, cada ocorrência exige uma resposta adequada à sua dinâmica.

Sempre que possível, devem ser acionados apoios especializados e profissionais de saúde. Porém, diante de ameaça iminente à vida de policiais ou terceiros, pode ser necessária uma intervenção imediata, inclusive com uso de arma de fogo como último recurso, observados os critérios de necessidade e proporcionalidade.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado afirmou que não tolera desvios de conduta. O policial militar que efetuou o disparo contra a mulher no Parque São Domingos na quinta-feira foi preso em flagrante e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investigará todas as circunstâncias do caso.

"Um inquérito foi aberto e terá acompanhamento da Corregedoria da PM. O local foi preservado pelas equipes da Polícia Militar até a chegada de equipes do Instituto de Criminalística e Instituto Médico Legal. A arma do policial foi apreendida para ser periciada", disse a pasta.

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Mulher estava com uma faca e apresentava comportamento alterado quando foi morta.
Mulher estava com uma faca e apresentava comportamento alterado quando foi morta.
Foto: Reprodução/Câmera de segurança / Estadão

Outros dois homens em surto foram mortos com ao menos 51 disparos de arma de fogo no intervalo de apenas uma semana.

Antonio Nunes Batista, de 40 anos, foi baleado e morto na Vila Dionísia, zona norte de São Paulo, após a PM atirar 24 vezes. Enquanto Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi morto com 27 tiros após policiais efetuarem 45 disparos no último sábado, em Moema, na zona sul.

Nos dois casos, os policiais estão sendo investigados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa.

No caso de Gustavo, um vídeo de câmera de segurança registrou a abordagem. As imagens mostram o jovem se movimentando até se esconder atrás de uma parede enquanto os policiais se aproximam. Em seguida, Gustavo pega o celular e o aponta na direção dos agentes antes de ser baleado. Pelo menos seis policiais aparecem nas imagens no momento dos disparos.

Em coletiva de imprensa na terça-feira, 13, o secretário da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que a abordagem foi uma ação legítima e não desrespeitou os protocolos da corporação.

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Segundo o boletim de ocorrência, obtido pelo Estadão, quatro policiais efetuaram 45 disparos, dos quais 27 atingiram Gustavo. Todos os tiros foram feitos com pistolas calibre .40 da corporação. As quatro armas utilizadas pelos agentes e o celular da vítima foram apreendidos para perícia.

A SSP informou que as polícias Civil e Militar investigam as circunstâncias da morte. Em ambos os casos, as imagens registradas por câmeras nas fardas dos policiais serão analisadas pela investigação.

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