O soldado da PM André Coelho Maximo da Costa foi solto após audiência de custódia nesta sexta-feira, 16. Ele havia sido preso em flagrante após matar com um tiro na cabeça Camila Pereira da Silva, de 32 anos, que estaria em surto e armada com uma faca em Pirituba, São Paulo. A defesa alega legítima defesa e cumprimento de protocolos. O caso, investigado pelo DHPP e pela Corregedoria, soma-se a outras mortes recentes de pessoas em surto durante abordagens da Polícia Militar paulista.
O soldado André Coelho Maximo da Costa, preso por atirar e matar uma mulher em possível surto em Pirituba, na zona norte de São Paulo, foi solto após audiência de custódia na tarde desta sexta-feira, 16.
O advogado Gilberto Quintanilha, que representa o policial militar, afirmou que a "justiça foi restabelecida". "A ação dele foi absolutamente legítima e dentro de tudo o que a Polícia Militar determina", afirmou Quintanilha após a audiência de custódia.
Em nota, o advogado Mauro Ribas, que também integra a defesa de Maximo, afirmou que a prisão ocorreu por "cunho político e eleitoreiro". Segundo ele, o soldado cumpriu todos os procedimentos operacionais da Polícia Militar, acionou a Câmera Operacional Portátil (COP) desde o início da ocorrência e só efetuou o disparo quando não tinha mais possibilidade de recuar.
"Esta prisão gerou extrema comoção e instabilidade na tropa da Polícia Militar, que entendeu tal ato como um recado de desamparo por parte do Governo do Estado e da Corporação", disse.
Maximo, que é soldado da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam), e outros dois colegas atenderam à ocorrência que terminou com a morte de Camila Pereira da Silva, de 32 anos, na tarde de quinta-feira, 15.
Ela estaria em surto e se aproximou dos agentes com uma faca, antes de ser baleada na cabeça por Maximo. O policial foi preso em flagrante e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação, mas foi liberado após a audiência de custódia, nesta sexta-feira.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) afirmou, na quinta-feira, que "não tolera desvios de conduta". "Um inquérito foi aberto e terá acompanhamento da Corregedoria da PM. O local foi preservado pelas equipes da Polícia Militar até a chegada de equipes do Instituto de Criminalística e Instituto Médico Legal. A arma do policial foi apreendida para ser periciada", disse.
Outros dois homens em surto foram mortos com ao menos 51 disparos em apenas uma semana.
Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi morto com 27 tiros após agentes efetuarem 45 disparos no último sábado, 10, em Moema, na zona sul.
Em entrevista coletiva na terça-feira, 13, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que a abordagem foi uma ação legítima e não desrespeitou os protocolos da corporação.
Segundo a SSP, em ambos os casos, as imagens registradas por câmeras nas fardas dos policiais serão analisadas pela investigação.