Três policiais penais foram indiciados pela Polícia Civil em uma investigação que apura a fuga de um integrante de facção criminosa da Penitenciária Modulada de Charqueadas, na Região Carbonífera.
William Ramos Silveira, conhecido como Will, de 29 anos, deixou a unidade prisional pela porta da frente após apresentar um falso alvará de soltura. O caso ocorreu em 21 de maio de 2026, quando o apenado saiu da prisão sem romper estruturas ou utilizar qualquer método de fuga tradicional.
Segundo a investigação, a saída teria sido simulada como uma liberação regular determinada pela Justiça.
O policial penal Rudcrei da Costa Machado foi indiciado pelos crimes de promoção de fuga de pessoa presa, inserção de dados falsos em sistema de administração pública, falsificação de documento público e falsidade ideológica. Ele está preso desde o fim de junho e nega envolvimento, alegando que houve falhas de outros setores da unidade.
Além dele, outros dois servidores foram indiciados por prevaricação, crime caracterizado quando um funcionário público deixa de cumprir uma obrigação para atender interesse ou sentimento pessoal.
Segundo a Polícia Civil, eles teriam identificado inconsistências nos registros relacionados à saída de Will, mas não comunicaram a situação aos superiores.
Entre os indiciados está uma policial penal que mantinha relacionamento com Rudcrei e outro servidor apontado como supervisor do módulo onde o preso estava recolhido.
A investigação aponta que Rudcrei, que atuava no setor responsável pelo recebimento e processamento de alvarás de soltura, teria criado uma falsa documentação para liberar o preso.
Conforme a apuração, o procedimento envolvia a entrega de duas vias do documento, sendo que uma delas seria apresentada no pórtico de saída da penitenciária.
A fuga teria ocorrido durante a troca de visitas na penitenciária, período escolhido, segundo os investigadores, por apresentar maior circulação de pessoas no local.
A investigação começou após a Brigada Militar informar à Polícia Civil que Will teria sido visto novamente na Vila da Paz, em Cachoeirinha. O alerta chamou atenção porque o sistema prisional indicava que ele ainda estava preso e que teria saído para atendimento médico.
A análise das imagens de segurança revelou que o detento deixou a unidade pela entrada principal, acompanhado de outro preso. A partir disso, as autoridades passaram a investigar a possibilidade de participação interna na liberação.
O preso possui condenação de 34 anos e antecedentes por crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa. A Polícia Civil investiga se homicídios registrados em Cachoeirinha após a fuga têm relação com o grupo criminoso ao qual ele pertence.
Em depoimento, Rudcrei da Costa Machado negou participação na fuga e afirmou que a saída do preso ocorreu por falhas de outros setores da unidade prisional.
A investigação sobre possíveis outros envolvidos e a motivação do crime segue em andamento.