Por que presos, como Vorcaro, raspam a cabeça em presídios

Razões como higiene, padronização e associação com o crime estão na lista de justificativas

7 mar 2026 - 04h58
Além de vitar a prolieração de piolhos, o corte dos cabelos e a remoção da tintas evita associação com facções
Além de vitar a prolieração de piolhos, o corte dos cabelos e a remoção da tintas evita associação com facções
Foto: Reprodução: Redes Sociais

Uma foto de Daniel Vorcaro chamou a atenção na última sexta-feira, 6. O cabelo volumoso e a barba deram lugares a um rosto liso e penteado careca. Mas por que isso acontece?

Os presídios, via de regra, cortam o cabelo dos internos para evitar problemas como piolhos ou outros parasitas. Afinal, as prisões nem sempre têm as melhores condições de higiene. Além disso, o procedimento é disciplinar e tem como objetivo a construção de uma identidade dos presos que observe o tratamento igualitário que eles devem receber enquanto privados de liberdade. Vorcaro está na Penitenciária Federal de Brasília.

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Em entrevista ao Terra, em agosto de 2025, Antonio Suxberger, promotro de justiça do Ministério Público do Distrito Federal havia explicado a prática. “O tema do corte de cabelo (assim como barba, bigode, cavanhaque) é geralmente normatizado pelos estados. Não há, propriamente, um ato normativo na esfera federal versando sobre isso”.

Ele contou que a portaria do Ministério da Justiça 1.191, de 19 de junho de 2008, estabelece que é competência das administrações das prisões “realizar o processo de higienização pessoal, incluindo cortar cabelo, utilizando-se como padrão o pente número dois da máquina de corte; raspar barba; aparar bigodes”. Porém, Suxberger reforçou que cada estado possui atos normativos específicos. 

O promotor afirmou que há controvérsias em relação a "institucionalização" do detento: “Os críticos afirmam que, em lugar de ressocializar o condenado, a prisão acaba por institucionalizá-lo, retirando-lhe o que marca a sua identidade e sua autorrepresentação”. Contudo, esses fatores podem ser flexibilizados em casos como os de identificação social, de gênero ou mesmo em respeito a credos e orientações religiosas, afirma Suxberger.

Também na mesma época, o advogado criminalista e conselheiro da OAB-SP, Antônio Gonçalves, explicou que, por vezes, a coloração do cabelo pode estar associada a alguma facção criminosa.

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“Quando alguém ingressa no sistema prisional, especialmente no Rio de Janeiro, a pessoa  precisa declarar se tem alguma simpatia ou filiação com alguma facção criminosa, justamente para ser encaminhada para uma ala específica”, afirmou. 

Fonte: Portal Terra
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