Oito PMs são afastados por suspeita de tortura e fraude em ocorrência no RS

Investigação aponta que agentes agrediram homem e forjaram flagrante de tráfico de drogas

30 abr 2026 - 18h03

A Corregedoria da Brigada Militar concluiu, nesta semana, um inquérito que resultou no afastamento de oito policiais militares lotados em Torres, no Litoral Norte gaúcho. Os agentes são investigados por tortura e por "plantar" drogas em um veículo para justificar a prisão de um homem, em fatos que teriam ocorrido durante o ano de 2025. O comandante do pelotão local, capitão Guilherme Hermeto, também foi indiciado na apuração.

Foto: Comunicação Social do 3º BPM / Porto Alegre 24 horas

Segundo a investigação, integrantes da Força Tática teriam agredido um suspeito com socos e chutes durante uma abordagem. Na sequência, agentes do setor de inteligência da própria corporação teriam sido acionados para levar tijolos de maconha até o local, com o intuito de simular um flagrante de tráfico. Para esconder as agressões, os policiais teriam provocado danos ao veículo do homem, tentando simular que os ferimentos foram causados por um acidente de trânsito.

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A prova central do caso foi obtida por meio de vídeos registrados nos celulares dos próprios policiais, onde um dos soldados aparece coordenando as agressões. Em um dos registros, agentes chegam ao local com o material entorpecente fazendo piadas, referindo-se à entrega como "Sedex" ou "iFood". A vítima sofreu uma fratura na mandíbula e chegou a permanecer presa por três meses devido à ocorrência forjada.

O inquérito policial militar foi encaminhado à Promotoria de Justiça Militar, que avaliará se oferece denúncia contra os envolvidos. Em nota, a Brigada Militar afirmou que o afastamento visa a responsabilização administrativa e a avaliação da permanência dos militares na instituição, ressaltando que não tolera práticas de crimes de tortura em seus quadros.

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