PMs atiram 24 vezes e matam homem já caído durante abordagem em SP, diz TV

Imagens mostram que os disparos começaram após homem cair no chão; Secretaria da Segurança Pública afirma que os policiais foram afastados

12 out 2026 - 21h25
PMs atiram 24 vezes e matam homem já caído no chão durante abordagem em SP
PMs atiram 24 vezes e matam homem já caído no chão durante abordagem em SP
Foto: Reprodução/TV Globo

Imagens feitas por testemunhas registram policiais militares disparando pelo menos 24 vezes contra Antonio Nunes Batista, de 40 anos, após ele cair no chão durante uma abordagem na Vila Dionísia, na Zona Norte de São Paulo. A ocorrência foi registrada na madrugada de 3 de outubro, na Rua Afonso Lopes Vieira. As informações são da TV Globo. 

O vídeo divulgado pela emissora mostra Antonio sendo atingido por uma arma de choque e caindo no asfalto. Ele permanece aparentemente sem se mexer até que os policiais iniciam os disparos. A gravação também registra o som de dezenas de tiros.

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De acordo com a TV Globo, o registro policial feito no Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) relata que os PMs faziam patrulhamento na região por volta da 1h, quando se depararam com Antonio, que, segundo os agentes, aparentava estar em surto.

Conforme o relato dos policiais, Antonio estaria portando uma faca e uma barra de ferro e ameaçando pessoas que passavam pelo local. Os agentes disseram ter recorrido a uma arma de eletrochoque para imobilizá-lo, mas alegaram que o recurso não surtiu efeito suficiente. 

Os três policiais alegaram ter atirado com suas armas de fogo para conter a suposta agressão, que, segundo eles, teria continuado. A gravação, no entanto, mostra que os disparos começaram quando Antonio já estava no chão. O boletim de ocorrência informa ainda que nenhum dos agentes estava equipado com câmera corporal.

Vídeo mostra sequência de disparos e perícia recolhe 24 estojos de munição

As imagens começam com Antonio na calçada, usando uma blusa branca e carregando uma sacola. Na pista, ao menos cinco policiais militares aparecem apontando armas para ele. Há carros parados na via, mas não é possível escutar a conversa entre os agentes e o homem.

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Em seguida, Antonio aparenta tentar deixar o local, quando os policiais utilizam uma arma de choque e ele cai no asfalto. Os disparos começam logo depois, enquanto ele permanece no chão. A gravação não permite identificar com clareza o que foi dito durante a abordagem nem reconstituir os acontecimentos anteriores ao trecho registrado.

Após ser atingido, Antonio recebeu atendimento de uma equipe de resgate e foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Peri 3, onde a morte foi confirmada. Segundo o boletim de ocorrência, a perícia recolheu no local 24 estojos deflagrados de munição calibre .40, um fragmento de projétil e três cartuchos de arma de eletrochoque.

Também foram apreendidos uma faca com cabo de plástico branco e um garfo de churrasco danificado. A barra de ferro citada pelos policiais no relato da ocorrência não consta na relação de objetos recolhidos pela perícia.

O caso foi registrado como homicídio decorrente de oposição à intervenção policial, resistência e porte de arma branca. Segundo o boletim, embora os três PMs que efetuaram os disparos não usassem câmeras corporais, o policial responsável por conduzir a ocorrência e outros agentes ouvidos como testemunhas estavam equipados com o dispositivo. O boletim informa ainda que, ao pedir acesso imediato às gravações, a Polícia Civil foi orientada a fazer uma solicitação formal ao órgão responsável.

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O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) encaminhou o pedido por e-mail. Os investigadores também identificaram dois ônibus estacionados em frente ao local cujas câmeras de segurança podem ter registrado a abordagem.

O que diz a SSP

Procurada pela TV Globo, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os policiais envolvidos foram afastados preventivamente das atividades operacionais. Veja a íntegra do posicionamento enviado à emissora:

"A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informa que as circunstâncias da morte de um homem de 40 anos, ocorrida na madrugada do último sábado (3), na Vila Dionísia, zona norte da capital, estão sendo rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes.

Policiais militares foram acionados para atender a uma ocorrência envolvendo um homem aparentemente em surto, que portava uma faca e uma barra de ferro e ameaçava pedestres. Durante a abordagem, o homem avançou em direção aos policiais, que utilizaram dispositivos de eletrochoque por duas vezes, sem sucesso. Diante da continuidade da ameaça, os agentes efetuaram disparos de arma de fogo. O homem foi socorrido à UPA Peri 3, mas não resistiu.

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As armas dos policiais envolvidos foram apreendidas para perícia, e as imagens das câmeras corporais foram solicitadas para análise. Também foram requisitados exames necroscópico e toxicológico ao Instituto Médico Legal (IML).

O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que instaurou inquérito policial. Paralelamente, foi aberto Inquérito Policial Militar (IPM), com acompanhamento da Corregedoria da PM. Os policiais envolvidos foram afastados preventivamente das atividades operacionais, conforme os procedimentos adotados para a apuração dos fatos.

A PM reforça seu compromisso com a transparência e a rigorosa apuração de todas as circunstâncias da ocorrência, assegurando que eventuais irregularidades identificadas sejam tratadas nos termos da legislação vigente."

O Terra também entrou em contato com a pasta, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. 

Fonte: Portal Terra
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