Operação na Serra desmonta rede de agiotagem ligada a facção que incendiou casa de devedor

Ação do MPRS prendeu três pessoas em Bento Gonçalves e Carlos Barbosa; esquema movimentou mais de R$ 32 milhões com cobranças abusivas

9 out 2026 - 11h32
Resumo
A Operação Multiplicação prendeu três pessoas na Serra Gaúcha ao desarticular um esquema de agiotagem ligado a uma facção criminosa, que movimentou R$ 32,3 milhões com extorsão e violência. O grupo impunha cobranças arbitrárias sob coação armada, chegando a incendiar a casa de um devedor. A ação cumpriu mandados em 13 locais, apreendeu armas e bloqueou bens. Os alvos responderão por extorsão, lavagem de capitais, usura e organização criminosa.

Uma ofensiva contra a cobrança violenta de empréstimos ilegais e extorsão resultou na prisão de três pessoas na manhã desta sexta-feira (9), nos municípios de Bento Gonçalves e Carlos Barbosa. A Operação Multiplicação teve como foco um grupo que movimentou R$ 32,3 milhões entre janeiro de 2022 e novembro de 2025 por meio de taxas extorsivas e coação armada.

Foto: MPRS / Divulgação / Porto Alegre 24 horas

A força-tarefa cumpriu mandados judiciais em 13 endereços vinculados a oito investigados. Durante as diligências, foram recolhidos armamentos, munições, celulares e documentos contábeis, além do bloqueio judicial de três imóveis e sete veículos atribuídos aos envolvidos.

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As apurações apontam que o bando se valia da influência de uma facção criminosa para coagir as vítimas. Mesmo após a quitação dos valores e das taxas combinadas, novas quantias eram cobradas de forma arbitrária sob constantes ameaças. Em um dos episódios relatados, um morador tomou R$ 50 mil, repassou sucessivos montantes e entregou uma caminhonete, mas continuou sofrendo exigências de dinheiro. Para pressionar o pagamento e intimidar a comunidade, os criminosos chegaram a atear fogo na residência de outro devedor.

O fluxo financeiro era mascarado por meio de contas correntes de pessoas físicas e jurídicas, empresas de fachada e intermediários.

Os alvos da ação responderão pelos crimes de extorsão, lavagem de capitais, usura pecuniária e organização criminosa. A iniciativa representa um desdobramento das ações voltadas a descapitalizar o braço financeiro da organização que atua na região.

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